esqueci minha senha / primeiro acesso

notícias

27/06/2022

CCT em atraso: Quais e de quem são as empresas que estão enrolando jornalistas?

CCT em atraso: Quais e de quem são as empresas que estão enrolando jornalistas?

Chega de desrespeito, patrões! Está na hora de expor os nomes das empresas e os responsáveis por explorar o trabalho de jornalistas. Já paira entre os profissionais que atuam no Paraná a ideia de fazer paralisações, principalmente em TVs, que seguem alardeando serem amigas da sociedade e do mercado, mas atacam seus funcionários com propostas indecentes como a que surgiu mais recentemente como um "pacote de maldades", encaminhado aos Sindicatos que representam jornalistas na última quarta-feira (22), com oferta ridícula de 4% de reajuste, diferenciação nos salários, o fim do anuênio e mais perdas.


É um absurdo que empresários da mídia no Paraná queiram tratar seus contratados praticamente como mão de obra escrava. Enquanto sugerem precarizar o trabalho profissional, divulgam por aí seus investimentos milionários incorporando novas empresas, construindo prédios, trabalhando em fundos corporativos e observando tudo do alto de suas mansões - incluindo na "Terra do Mickey". O crescimento das empresas e seus poderosos é importante, só não é quando jornalistas são colocados de escanteio e são usados como mero peões que não tem nem direito a um tijolinho nas construções desses "reis" e "rainhas".


E quem está rindo da cara dos jornalistas? Os integrantes dos Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Paraná (SERT-PR) e Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Paraná (Sindejor). Entre os principais envolvidos:


- Grupo Massa: De propriedade de Carlos Roberto Massa, Ratinho, e sua família, da qual o governador do Paraná faz parte, Ratinho Junior. As principais empresas são Rede Massa (com cinco emissoras de TV, afiliadas ao SBT), Rádio Massa FM (com dezenas de emissoras), portal Massa News (internet) e a produtora de eventos Massa Fun.


- Grupo GRPCOM (Grupo Paranaense de Comunicação): Sob liderança dos irmãos Ana Amélia Cunha Pereira Filizola e Guilherme Cunha Pereira. As principais empresas são RPC (oito emissoras de TV afiliadas à Globo), G1 (site), Gazeta do Povo, Tribuna e as rádios 98FM e Mundo Livre.


- Grupo RIC: De propriedade de Leonardo Petrelli e sua família. As principais empresas são RIC (com quatro emissoras de TV afiliadas à Record TV), dois portais de notícias (RIC Mais e Topview) e seis emissoras de rádio: Jovem Pan FM (Curitiba, Ponta Grossa e Cascavel), Jovem Pan News (Curitiba e Londrina) e Folha 102,1 FM, além da Spark (marketing digital).


- Grupo J. Malucelli: Presidido pelo empresário Alexandre Malucelli e que tem como acionista Joel Malucelli. Conta com investimentos em áreas que vão desde a infraestrutura até a hotelaria, mas na Comunicação é detentor da TV Bandeirantes Maringá e TV Bandeirantes Paraná, afiliadas da TV Band, BandNews FM Curitiba, jornal Metro e Paraná Portal.


- Grupo Folha de Londrina: De propriedade de Nicolás Mejía, controla a Grafipress, Bonde (internet) e a Folha de Londrina – empresa que tem atrasado salários de seus funcionários e é alvo de processo judicial.


- Grupo Muffato: Fundado pelo empresário José Carlos Muffato e atualmente comandado pelos ‘irmãos Muffato’, Everton Muffato, Eduardo Muffato e Ederson Muffato, o Grupo possui uma rede de supermercados e de lojas atacadistas no ramo alimentício, rede de postos de combustíveis e o Shopping Total (Ponta Grossa). Na Comunicação, o Grupo detém a TV Tarobá Cascavel e a TV Tarobá Londrina (ambas afiliadas à Rede Bandeirantes), portal Tarobá News (internet) e a rádio Tarobá FM.


- Rede Central Nacional de Televisão (CNT): Foi inaugurada pelo empresário e político José Carlos Martinez e hoje é presidida pelo também empresário Flávio de Castro Martinez. Detêm emissoras de televisão em Curitiba e Londrina.


- Grupo Maringá de Comunicação (GMC): Presidido pelo empresário Alexandre Barros e que tem ligação com o político Ricardo Barros – líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal. O Grupo possui além da GMC Eventos, a rádio Mix 97,9 FM Maringá, a Maringá FM 97,1, as rádios CBN Maringá, Cascavel e Ponta Grossa, além de ter participação na 98,3 FM de Curitiba.


Muitos querem apenas enfiar dinheiro nos próprios bolsos. Em toda conversa com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR) ou Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) dizem que a situação está difícil. Os e as jornalistas sabem disso, afinal, o salário defasado não dá conta da alta dos preços dos alimentos, alta nos custos de energia elétrica e água, combustíveis, etc... Mas, dependendo do veículo de comunicação em que trabalham, é fato que a própria postura editorial dos empresários é que tem "matado" seus negócios. Até os patrões sabem - só ignoram o óbvio. Mas a culpa não é do trabalhador.


Trabalho não é favor, é uma necessidade; dos trabalhadores e, mais ainda, das empresas, que dependem da mão de obra de outros para gerar os produtos que sustentam seus modos de vida. Cadê aquela negociação justa? Mais uma vez, jornalistas profissionais estão sendo enrolados. Nas próximas etapas do esforço para ‘sensibilizar’ os patrões, o Sindijor Norte PR e SindijorPR irão expor os valores recebidos por essas empresas de governos municipais, Paraná (Ratinho Junior) e Federal (Jair Bolsonaro). Alguns nem escondem buscar repasses diretos e até sair em fotos com o Governador do Paraná Ratinho Junior, pré-candidato à reeleição.


Os Sindicatos que representam jornalistas não queriam que essa negociação, que tem seguido como uma tentativa de imposição dos empresários, esbarrasse em período eleitoral. Haviam, inclusive, alertado publicamente sobre o assunto em 19 de abril. Só que parece que os patrões querem essa publicidade negativa.


A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) também acompanha a situação. A depender dos dados, Sindijor Norte PR e Sindijor PR também pretendem compartilhar suas apurações para movimentos que têm impacto de mídia maior na população, como a iniciativa do The Intercept e Sleeping Giants Brasil - por que não?

Autor:SindijorPR e Sindijor Norte