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ARTIGOS

Autor: Jornaldo
17/04/2015

O jogo está apenas começando

O jogo está apenas começando
Simon Taylor

Olá jornalistas, tudo bem?


Bom... hoje o Jornaldo encerra sua transmissão intelectualmente ordinária relativa as práticas futebolísticas dos jornalistas que pensam ser atletas.


Mas antes gostaria de parabenizar alguns trabalhadores jornalistas que participaram das eleições do Sindijor. Quero dizer que como exercício voluntário que fiz após o Sindijozão 2015, correr umas e outras urnas, além de buscar votos para a gestão recém-eleita (Luta Jornalista); rejuvenesceu-me.


E eu sinceramente poderia falar do delicioso costelão fogo de chão do dia 11 de abril. Ou dos brindes. Claro! Poderia falar também das risadas, da cerveja. Mas, sinceramente, não estou para o pagode. Estou sim é para as canções de combate. E digo mais: o torneio terminou, mas os dias de luta jamais.


No geral, o Torneio foi lindo! O melhor da história. Com partidas mais que sensacionais! Eu que o diga! Já relatei que até no hospital fui parar. E na última rodada de 2015, não foi diferente. Calma, não fui parar no hospital. O que quero dizer é que a última rodada foi incrivelmente emocionante.


Mas olha só... estou meio dividido hoje. Porque o momento que o jornalismo no Paraná passa é muito sério. Realmente um assunto sério.


Apesar da alegria nas quadras, os trabalhadores vivem momentos mais que decisivos. Eu falo da profissão. Esses dias de eleição mudaram minha cabeça. Aliás, passei por poucas e boas nos últimos dias e quero dizer uma coisa: o Jornaldo revoltou!


Sabe... estou como o Kássio na disputa do terceiro e quarto lugar entre Jornalismorreu x Catadão. Mesmo capenga, vou pra porrada. E olha... eu incomodo. Seguindo a linha do craque do torneio (pelo menos pro Jornaldo aqui), não estou nem aí se me falta uma perna pra luta, “em terra de saci qualquer chute a voadora”. É isso mesmo, é de ditados populares que vivo. É da foça coletiva.


Por isso a batalha é eterna. Não me importo em perder uma guerra aqui e outra ali, deixo a certeza da vitória para os outros.


Por exemplo: veja o time das Arsênicas. Elas tinham 100% de vitórias até a final no feminino, uma campanha impecável. Mas aí a BandNets corroeu as certezas. Vanessa e companhia atropelaram a melhor campanha do feminino com chapéu, golaços e muita raça. Foi espetacular... toda e qualquer surpresa como essa torna-se naturalmente espetacular.


Até porque sempre deixei claro que sou um motivador das equipes femininas. Gostaria, sinceramente, que tivesse o número de equipes do masculino também entre as meninas. Por isso fica aqui meu registro: Sindijorzão 2016 com mais times para a disputado do caneco entre as meninas.


Agora não adianta me pedir pra fazer qualquer tipo de mandinga para que esse desejo se concretize. Isso depende de vocês jogadoras. Até porque ficou uma lição nesta última rodada do torneio deste ano. Não adianta mandinga...


O time da Confraria que o diga. Prepararam um despacho no vestiário. Mas de que adiantou? Quem levou a oferenda foi o Sensacionalistas.


O time preto e amarelo, nos bastidores, fez um belo clima ao melhor estilo Libertadores da América. Coloriram as quadras do Sindijus, buscaram em vídeos de autoajuda se fortalecer e apelaram até ao nomadismo cigano.


Ok. Parabéns pela iniciativa.


Mas para levar o caneco do Sindijorzão é preciso muito mais. E, com todo o respeito, acredito que a Confraria foi à comunidade cigana errada... será que eles pegaram o contato com o cigano Igor? Aquele da novela? Vai saber...


Até porque, quem deu uma de esperto foi outro personagem. Esse cara literalmente pegou a Confraria de surpresa. Quem não lembra do cigano interpretado por Brad Pitt no filme Porcos e Diamantes? Então... o espião do Sensacionalistas, mais conhecido como Hendryo, deu vida ao personagem hollywoodiano. E mesmo fora das quadras, agiu nos bastidores.


Na espreita... lá estava ele, de preto e roxo, pela surdina, como um verdadeira nômade que sabe sobreviver a toda e qualquer adversidade; e como um mascate da noite, foi até a mandinga ‘confrariana’, arrancou sua arma e mijou (literalmente) na macumba. E não foi qualquer mijadinha não... foi uma obra de arte... foi algo radioativo. Uma atitude revolucionária. Uma verdadeira mijada territorial.


Entenda: muitas vezes a guerra é decidida nos bastidores.


Vamos ao jogo.


Se no início da partida a torcida da Confraria fazia muito barulho e fumaça, por momentos até parecia maioria; por fim, mostrou-se fogo de palha. Todos os outros espectadores aderiram ao uniforme preto e roxo e ofuscaram o preto e amarelo.


Aí meu amigo, quando é a massa que se une. Quando os jornalistas se unem. Não há santo que resolva.


E depois da já falada mijada territorial dos Sensacionalistas, os deuses do futebol mudaram de lado. Aí, quando isso acontece, sempre sobra pra um personagem ser crucificado.


Naquele dia 11 de abril foi o jogador Pietro. Um ótimo jogador, que fique claro.


Pietro fazia um grande jogo. Gols e mais gols no time adversário. Foram quatro. Um golpe atrás do outro. Uma metralhadora que destilava todo seu poderio bélico. Porém, em dois lances capitais, sucumbiu a pressão preta e roxa.


Primeiro esteve diretamente ligado ao gol que recolocou o Sensacionalistas no jogo. Segundo, como um golpe fatal, perdeu o pênalti final. E com as mãos na cabeça se entregou. Voltou ao seu posto e se uniu ao resto do exercito derrotado. Todos, lógico, de cabeça erguida.


Mas a arte de guerra realmente é estratégica. E a Confraria não fez a lição de casa. Com a vitória quase assegurada durante o jogo, resolveu descansar alguns guerreiros e trabalhar com um soldado surpresa, o goleiro linha. O Sensacionalistas também usou da mesma arma.


Agora pense: quando se está em desvantagem, você usa todas as armas. E quando se está ganhando? Não seria melhor neutralizar a arma do inimigo e manter o resultado? A Confraria pensou diferente e cometeu um erro crasso: usar goleiro linha enquanto ganhavam.


Numa guerra, não há tempo pra respirar. Há fumaça. Há fogo. Há dor. Vi no Sensacionalistas jogadores sangrando em combate, se arrastando, sentindo câimbra, mas nunca desistindo. Esse é o espírito. Isso é vontade de ser campeão. Numa guerra, não adianta pedir arrego pra santo.


Por fim, tempo normal: 5 a 5. Sensacionalistas 3 a 2 nos pênaltis. Deu preto e roxos mais uma vez.


Deixo aqui meus parabéns ao Sensacionalistas e a BandNets, ambos bicampeões do Sindijorzão. Foi merecido.


E assim como as eleições do Sindijor, fui contagiado por esse espírito de luta e de continuar na luta. Sabe por quê?


Porque é esse o espírito que precisa prevalecer. A coletividade precisa ser insurgente. Os jornalistas estão em guerra. Não mais dentro das quadras, com o espírito de confraternização. Agora a camisa é a da liberdade de imprensa.


Não se esqueçam das recentes lutas. Não esqueçam os jornalistas que sistematicamente foram convocados pelos PM e pela Civil para revelar informações sigilosas. Não esqueçam! É a lei agindo de forma ilegal.


Não esqueçam as ameaças que jornalistas sofrem em Londrina. Não esqueçam que há coerção por parte de organizações criminosas dentro de instituições do governo estadual, com fortes indícios da participação do próprio governo paranaense.


Não esqueçam que a comunicação é um território em disputa. Não esqueçam que em diversas regiões do estado a informação e os jornalistas estão sendo podados.


Por isso o espírito do Sindijorzão me contagiou. Por isso o espírito das eleições me contagiou. Por isso digo que não terei saudade do torneio, porque ele vai estar comigo.


O espírito de luta e coletividade me coloca ao lado da nossa categoria sempre. Se um trabalhador está contundido, vou correr por ele. Se um jornalista precisa ser obrigado a fugir, vão vestir seu uniforme e lutar na mesma guerra.

Articulista: Jornaldo
Jornalista renomado internacionalmente. Colabora como comentarista do Sindijorzão - Torneio de Futsal do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná.