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27/05/2014

Jornalistas farão paralisação dia 3 de junho

Jornalistas farão paralisação dia 3 de junho
Jornalista reunidos no Sindijor na noite do dia 26 de maio (*Maigue Gueths)

Agora é preto e roxo! Vamos dar um basta no desrespeito patronal! Campanha Salarial dos Jornalistas ganha corpo e jornalistas farão paralisação de cinco minutos nos locais de trabalho. O ato ficou marcado para o dia 3 de junho. Ontem (26), duas assembleias em Curitiba definiram o rumo da categoria na capital do estado. Houve assembleias na sede da entidade e também assembleia itinerante em locais de trabalho. A posição dos trabalhadores foi unânime: REPÚDIO ao piso diferenciado (proposta vinda dos empresários paranaenses - veja documento aqui). Outra questão aprovada pela categoria é a reabertura imediata das negociações, com prioridade nas mesas de negociação ao debate sobre o reajuste e o aumento real dos jornalistas paranaenses. 


Mobilização


O Sindijor convoca os trabalhadores jornalistas e outras entidades sindicais a apoiar o ato em defesa da categoria, no dia 3 de junho, em dois horários: 10 horas e 17 horas. A paralisação será de cinco minutos, com os trabalhadores vestindo preto ou roxo. “Os profissionais sairão dos locais de trabalho e farão uma foto em frente ao local de trabalho. Esse encaminhamento é válido também para outras regiões do Paraná, que confirmarão locais e datas das Assembleias”, explicou Guilherme Carvalho, presidente do Sindijor, durante conversa com os trabalhadores na tarde de ontem.


O ato é um protesto diante da intransigência das empresas de comunicação do estado. “Toda essa insatisfação dos trabalhadores constrói um cenário de mobilização. A capacidade de avançar na negociação está diretamente ligada à adesão da categoria”, disse Guilherme Carvalho. Os jornalistas decidiram em assembleia também fazer um abaixo assinado sobre a redução do piso no interior e reafirmar a pauta de reivindicação da categoria, que exige reajuste salarial (inflação mais aumento real).


Momento: a negociação dos jornalistas encontra-se travada. A única posição das empresas de comunicação foi apresentar uma proposta de piso diferenciado, o que para a categoria é uma verdadeira afronta histórica, já que os trabalhadores conquistaram o piso unificado com muita luta.


O Sindijor já sinalizou que devido à postura dos patrões na atual negociação, a mobilização é a única resposta. Tanto o Sindicato, quanto os trabalhadores consideram que o jornalista do interior não vale menos que o da capital, ele trabalha igual e merece receber o mesmo. Sem contar que o rebaixamento no interior seria uma porta para a redução dos salários também na Capital.


Mesa de negociação: Para tratar da Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas (2014/2015), foram apenas duas rodadas de negociação em 2014. E os patrões vieram com a mesma ladainha de que o setor não vai bem, que as empresas do interior não conseguem arcar com o valor do piso (como se R$ 2,6 mil fosse um salário gordo!). E a proposta? Os patrões novamente propõe um piso que vale menos e, ainda por cima, diferenciado por regiões.


Faturamento: Entre 2004 e 2013, o faturamento dos meios de comunicação no Brasil aumentou 191%, enquanto a inflação do período foi de 69%. Isso significa que o faturamento aumentou 72% acima da inflação. Em contrapartida, os jornalistas tiveram um reajuste de apenas 70%, ou seja, apenas repuseram a inflação.


Querem mais um motivo para não aceitar o piso diferenciado? Hoje, segundo dados da RAIS/Ministério do Trabalho, 42,5% dos jornalistas do Brasil ganham menos de quatro salários mínimos, ou seja, já ganham abaixo do piso. Quer dizer, muitas empresas já desrespeitam o piso! O que eles querem é que a gente seja conivente com essa situação, rebaixando os salários.


Mais informações sobre a Campanha Salarial dos Jornalistas aqui.

Autor:Regis Luís Cardoso Fonte:SindijorPR