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13/07/2015

Luta contra perseguições mobilizou jornalistas em Curitiba

Luta contra perseguições mobilizou jornalistas em Curitiba
Foto: Gabriel Marchi

No último dia 11 de julho, o SindijorPR reuniu a categoria para mais um ato público da campanha “Basta: chega de perseguição a jornalistas”. Outras mobilizações já estão marcadas em Cascavel e Londrina


A lendária Boca Maldita, em Curitiba, foi palco de mais um ato dos jornalistas paranaenses (assista vídeo aqui). A campanha permanente "BASTA: Chega de perseguição a jornalistas" mobilizou profissionais de diversos meios de comunicação na manhã do último sábado (11). “A data marcou os três meses da denúncia de assassinato do jornalista James Alberti. O profissional segue fora do estado, escondido. Muita coisa ainda não foi esclarecida”, explica Gustavo Vidal, diretor-presidente do SindijorPR.


Outra denúncia dos trabalhadores aponta para as demissões e o assédio moral. "Dezenas de jornalistas foram demitidos para dar lugar a profissionais mais novos, que ganham o piso; isso quando o posto de trabalho é mantido. E com as redações cada vez mais enxutas, os trabalhadores passam a enfrentar o assédio moral de superiores ou donos de jornais para manter a produção", destaca Gustavo.


Para o Sindijor, a atual situação é preocupante, principalmente pelo fato de jornalistas serem ofendidos recorrentemente por políticos e autoridades na Assembleia Legislativa do Paraná e em Câmaras de Vereadores de diversos municípios. Os casos estão chegando com frequência ao Sindicato e remetem os jornalistas aos tempos de censura.


Durante a manifestação na Boca Maldita, os jornalistas distribuíram uma carta aberta à sociedade que explica os casos que envolvem desde violência física contra o trabalhador até assédio moral nos locais de trabalho. A direção do Sindijor esclarece que este trabalho de mobilização faz parte de uma campanha permanente que envolve desde questões de segurança no trabalho até reivindicações que estão sendo debatidas na campanha salarial 2015.


Uma nova mesa de negociação entre Sindicato e representantes patronais está marcada para o dia 23 de julho. Mais informações aqui.


Londrina: O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná definiu uma agenda de mobilizações em defesa dos direitos dos trabalhadores. Nos dias 16, 17 e 18 de julho acontecerão manifestações em frente às sedes das empresas de comunicação da cidade; no último dia ficou definido um grande protesto no Calçadão da cidade. No dia 16 está marcado um ato em apoio às investigações do Gaeco sobre a corrupção na Receita Estadual e exploração sexual de menores em Londrina; esta ação acontecerá na Câmara de Vereadores. No dia 22 os jornalistas se programaram para o ato do “Preto e Roxo”. O objetivo da ação em Londrina é para retomada os trajes que indicam a mobilização dos jornalistas e que a batalha pela valorização da categoria iniciada no ano passado é permanente.


Cascavel: Para incentivar a doação de sangue entre os jornalistas, o Sindijor-PR, em parceria com o Hemocentro Regional de Cascavel, promove a partir do dia 13 até 31 deste mês, o "Julho Vermelho dos Jornalistas". "A ação faz parte da série de mobilizações da campanha permanente “BASTA: Chega de perseguições a jornalistas”, lançada em maio pela entidade. Enquanto alguns perseguem, assediam e até ameaçam jornalistas de morte, nossa resposta será dada com doação de vida", explicou Julio Carignano, diretor de comunicação do Sindicato e responsável pela ação da entidade no oeste do Paraná.


Para não esquecer:


#Basta de perseguição


No Paraná têm aumentado os casos de perseguições, ameaças e agressões a jornalistas. O SindijorPR, em parceria com outras entidades, criou o Comitê Regional de Proteção ao Jornalista. Participam deste movimento organizações não governamentais de direitos humanos, sindicatos, parlamentares, entidades do movimento estudantil e instituições públicas.


- Jornalistas da RPC TV foram ameaçados de morte durante as investigações do caso de corrupção na Receita Estadual e crimes de exploração sexual em Londrina.

- Jornalistas da Gazeta do Povo são insistentemente chamados pelas polícias Civil e Militar para depor e revelar suas fontes de informação: isso é proibido por lei.

- Jornalistas em Umuarama (Noroeste do Estado) foram proibidos de investigar denúncias contra vereador de uma cidade da região.

- Jornalista em Francisco Beltrão foi ameaçado por empresário.

- Jornalista em Toledo foi baleado.

- Jornalistas foram impedidos de entrar no Tribunal de Justiça do Paraná, em Curitiba.

- Jornalista da Gazeta do Povo saiu do Brasil por causa de matéria investigava.

- Jornalista foi ameaçado por político na Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu.

- Jornalistas foram ofendidos por parlamentares em Curitiba e Guarapuava.

- Em Ponta Grossa, nesta semana, uma jornalista foi atacada por um vereador da cidade e um repórter cinematográfico foi agredido na rua durante produção de reportagem.

- Outro caso de agressão partindo de político aconteceu em Campo Mourão, quando um vereador telefonou para um jornalista o ameaçando.


#Basta de demissões


No ano passado, o Sindicato registrou, por meio do “Demissômetro”, que dez empresas no Estado demitiram 156 profissionais em dois anos. Ao todo, foram 287 demissões no período, em rádio, TV e jornal. Se não bastasse, a precariedade é ampliada com bancos de horas irregulares e com a insistente tentativa de rebaixar o piso da categoria no interior.


#Basta de acúmulo de função


Outro problema do dia a dia é o acúmulo de função nos locais de trabalho. Hoje é comum repórter editar matéria, repórter cinematográfico e fotográfico dirigir o carro da empresa, assessor de imprensa fazer matéria, diagramar, fotografar e editar. O Sindicato defende a jornada de 5 horas diárias, pois a considera necessária para garantir qualidade de vida aos profissionais. A extensão da jornada, além do decréscimo financeiro e problemas de saúde, reduz o tempo de lazer, o convívio familiar, a prática de atividades físicas ou culturais. Se preocupe com sua qualidade de vida.


#Basta de assédio


Na busca por qualidade de vida nos locais de trabalho, o Sindijor lançou a cartilha Assédio no Jornalismo: ajude a combater. A ideia da cartilha surgiu após os números expostos na “Pesquisa sobre violência contra os jornalistas paranaenses”, divulgado em dezembro de 2014. Ao estudar a saúde do trabalhador, questões importantes vieram à tona. Principalmente alguns números sobre o tema assédio. Ao responderem a pergunta: “Você já foi vítima de assédio moral em seu local de trabalho?”, 78% dos jornalistas confirmaram que SIM; 22% negaram. Para a questão “Sabe de algum colega ou já presenciou alguém que já tenha sido vítima de assédio moral?”, 83% disseram SIM e 17% disseram NÃO.


Dossiê sobre perseguição a jornalistas


No fim de junho Gustavo Vidal esteve na Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP). Gustavo entregou um dossiê feito pela entidade com relato dos casos de ameaça e perseguição contra profissionais da imprensa ao secretário Wagner Mesquita. “É importante ter o apoio da SESP para que as investigações sobre esses casos caminhem rapidamente. O período que passamos no estado é de constantes ataques à liberdade de imprensa e ao direito do livre exercício profissional”, explicou o presidente do Sindicato.

Autor:Regis Luís Cardoso Fonte:SindijorPR