esqueci minha senha / primeiro acesso

ARTIGOS

Autor: Pedro Carrano
07/08/2017

Aprimoramento da comunicação dos trabalhadores no local de trabalho

De uma história de lutas conjuntas e apoio mútuo entre o jornal Brasil de Fato e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR), surgiu a ideia do I Curso de Comunicação Sindical.


O programa do curso apontou a troca de conhecimentos entre a redação do jornal e a direção do sindicato que, há 30 anos, produz um boletim chamado “Resistência”, que já alcança o número 1204.


Produzido em formato A4, sem pretensões formais, o Resistência traz o conteúdo das lutas dos petroquímicos e é distribuído no local de trabalho, na unidade da Fafen Fertilizantes, que fica ao lado da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (região metropolitana de Curitiba) e engloba quase 400 trabalhadores.


É uma espécie de “zine sindical” e histórico. Os próprios diretores produzem piadas com alguma chefia assediadora, fazem crônicas e informes para a categoria.


Recentemente, sentiram a necessidade de envolver a diretoria mais jovem para dar sequência à produção do material.


Chama a atenção como, mesmo em uma categoria antenada com as novas tecnologias, eles apostam na manutenção do suporte impresso.


A unidade da Fafen Fertilizantes está hoje sob o controle da Petrobrás, depois de ter passado pela privatização em 1992. De lá para cá, o controle acionário se alternou entre a Bunge e a Vale, até a recondução ao controle da Petrobrás – com políticas e ataques aos direitos trabalhistas diferentes em cada período.


Durante o curso, embora sem a pretensão de analisar cada texto como “melhor ou pior”, optamos pelo caminho provocativo de Claudia Santiago e do saudoso Vito Gianotti: como melhorar e tornar mais direta a comunicação com os trabalhadores? Para isso, foram elaborados três eixos para o curso, montado com a própria direção sindical, a partir de suas demandas:


a) Debater tipos de textos e características de cada narrativa, usando exemplos da produção de reportagens do Brasil de Fato e do boletim Resistência;


b) Como realizar uma análise de conjuntura e também uma visão crítica da mídia;


c) Com o auxílio das técnicas de narrativas analisadas no curso, os participantes elaboraram pautas a partir de problemas do local de trabalho.


Neste último item, ficou nítido em que medida o mundo do trabalho é invisibilizado pela mídia comercial. Basta pensar sobre quantas notícias ocorrem diariamente e não temos contato sobre saúde e segurança do trabalho, assédio moral e acidentes de trabalho, além de questões relacionadas às unidades de produção como é o caso da Fafen.


A proposta do curso, na qual os trabalhadores produzem suas próprias notícias e textos, não substitui a comunicação formal do sindicato: nada mais é que uma forma de expressão direta entre a base sindical. Uma comunicação por local de trabalho, indispensável para a organização dos trabalhadores, ainda mais em tempos de sérios ataques via reforma trabalhista.


Com as novas tecnologias, a possibilidade de formação de grupos de debates, páginas no Facebook e no Whatsapp multiplicam-se entre os trabalhadores. Ainda assim, o peso da “norma culta”, das opressões, de uma educação formal e impositiva, ou mesmo falta de tempo disponível para o lazer e estudo, inibem muitos trabalhadores para se expressar ou fazer uso desses espaços.


Daí a importância do curso, não só para o aprimoramento da escrita, mas para dar confiança aos trabalhadores, que admitiram na abertura das atividades a pressão de escrever conforme um padrão “oficial” ou norma culta.


A proposta do Brasil de Fato Paraná é que o curso possa ser levado a outros sindicatos, seja aos delegados sindicais, dirigentes e integrantes da base. Uma comunicação ampla e eficiente dos trabalhadores significa também a possibilidade de mais entrada e fortalecimento da comunicação da esquerda.


*com colaboração de Carolina Goetten, Daniel Giovanaz, Ednubia Ghisi, Franciele Petry Schramm.


Mais uma crise em Curitiba: greve dos médicos


Os médicos de Curitiba entraram em greve no dia 27 de julho, com a exigência de melhores salários. A categoria assumiu que a paralisação não impactaria os casos urgentes nas Unidades de Saúde. Os profissionais são contratados pela Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes), com um vínculo semelhante à terceirização.


Setor de autopeças prejudicado


De acordo com o site Agência Sindical, a queda nas vendas do setor de autopeças atingiu US$ 2,65 bilhões no acumulado de janeiro a junho no Brasil. O resultado representa alta de 16,6% sobre o mesmo período do ano passado. As importações somaram US$ 6,06 bilhões e cresceram 10,3% no período, enquanto as vendas ao exterior, de US$ 3,41 bilhões, aumentaram somente 5,9%.


30 de agosto: APP-Sindicato define greve


O dia 30 de agosto, data considerada de “luto e luta” pelos professores estaduais, será novamente de greve. A paralisação foi definida em assembleia estadual, no dia 29 de junho.


Frente Brasil lança programa de emergência no Paraná


O Plano Popular de Emergência da Frente Brasil Popular será lançado no dia 5 de agosto, em Londrina, e no dia 15 na UFPR, em Curitiba. O documento apresenta uma alternativa à crise econômica brasileira. Os lançamentos terão a presença do ex-ministro das relações exteriores, Celso Amorim, ao lado de lideranças nacionais dos movimentos.

Edição: Ednubia Ghisi

Articulista: Pedro Carrano
Jornalista no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc) e diretor-executivo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná.