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ARTIGOS

Autor: Célio Martins
02/03/2015

Aperto do governo estoura do lado mais fraco

Aperto do governo estoura do lado mais fraco

É histórica no Brasil a prática dos governantes de arrochar os trabalhadores para compensar os seus erros de gestão, as falhas de planejamento, a gastança desnecessária e outras mazelas que destroem a administração pública brasileira.


Não há cor ideológica nessas iniciativas prejudiciais a quem realmente trabalha e produz no país. Pacotaços, arrochos, apertos, ajustes e outros sinônimos de medidas voltadas a tirar direitos dos menos favorecidos economicamente vêm tanto da direita como do centro e da esquerda. Os exemplos, do passado e do presente, são inúmeros. Para situar a questão nos problemas atuais, basta um levantamento de alguns pacotes anunciados [alguns deles fracassados graças à pressão da sociedade] por governos municipais, estaduais e federal.


As ações do governo federal demonstram que o plano é fazer os trabalhadores pagarem a conta da bandalheira e da ineficiência de gestão. A presidente Dilma Rousseff, que foi eleita com apoio da maioria dos representantes dos trabalhadores, se volta contra seus apoiadores com propostas para reduzir o pagamento de benefícios como pensão por morte, auxílio-doença, abono salarial, seguro-desemprego e seguro defeso.


Se não bastasse, o Palácio do Planalto avança também sobre concessões que favoreciam a contratação de pessoal. Os cortes nas desonerações da folha de pagamento concedidas às empresa têm forte potencial para reduzir o emprego, um dos últimos pilares que ainda sustentam o governo central.


Na esfera estadual, o governo do Paraná, depois de anos de desperdícios, investimentos que não eram prioritários e ausência de um plano de desenvolvimento sustentável para o estado, viu os cofres do tesouro serem esvaziados. A saída foi propor medidas para tirar direitos trabalhistas e avançar sobre recursos dos servidores, como os da previdência.


No município de Curitiba, também com problemas de finanças, medidas como o aumento das tarifas do transporte público afetam diretamente a parte mais frágil economicamente da sociedade, trazendo sérias consequências sociais. E há ainda o agravante da desintegração de uma rede de transporte que foi considerada modelo em todo o mundo.


Paralelamente a esse ataque nefasto aos direitos conquistados a duras penas pelas classes laborais, os brasileiros assistem atônitos a decisões do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Legislativo [municipal, estadual e federal] que ferem a ética e a democracia. A criação de auxílio-moradia em valores superiores ao que ganha a esmagadora maioria dos brasileiros, o aumento de verbas para mandatos de deputados e vereadores e outras regalias configuram um atentado àqueles que não têm nem mesmo as suas necessidades básicas atendidas.




*As opiniões publicadas aqui não refletem necessariamente a posição do SindijorPR, são de responsabilidade do próprio autor. Envie também seu artigo: extrapauta@sindijorpr.org.br.
Articulista: Célio Martins
Diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e jornalista da Gazeta do Povo