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26/03/2020

Bolsonaro espalha desinformação e prejudica a sociedade ao atacar jornalismo em meio à pandemia

Na noite de terça-feira (24 mar. 2020), os brasileiros foram surpreendidos por um pronunciamentoirresponsável do presidente Jair Bolsonaro, em cadeia nacional. Além de ignorar as orientações das autoridades sanitárias do Brasil, do próprio governo e de entidades supranacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o presidente atacou o jornalismo mais uma vez, afirmando que a mídia contribui para o que chamou de “uma verdadeira histeria” em relação à covid-19.


Disse Bolsonaro: “Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão. Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália. Um país com grande número de idosos e com o clima totalmente diferente do nosso. O cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso país.”


As declarações demonstram desprezo não apenas pela saúde dos brasileiros, mas também a total ignorância do presidente da República em relação ao papel da mídia: levar à população informação embasada em fatos científicos e dados concretos, de maneira que as pessoas possam tomar as decisões que considerem adequadas -- trabalho considerado essencial em decreto assinado pelo próprio Jair Bolsonaro no dia 20.mar.2020.


Cientes desse seu caráter essencial e da seriedade do momento, jornais, emissoras de rádio e TV e mídias digitais de todo o país alteraram completamente suas páginas, grades de programação e rotinas, dando prioridade absoluta à cobertura do novo coronavírus, de maneira a conseguir levar o máximo de informação possível ao público. Isso não é histeria, e sim trabalho responsável e à altura da naturalmente enorme demanda da população por informação de credibilidade.


Enquanto isso, Bolsonaro usou os cinco minutos de pronunciamento para espalhar desinformação sobre a covid-19, destilar ironias à mídia e desconstruir as orientações do corpo técnico de seu próprio Ministério da Saúde, incentivando os cidadãos a adotarem comportamentos de risco e colocando a saúde de todos em perigo.


“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão”.


Como já se tornou costume neste governo, o presidente ataca o mensageiro, em lugar de oferecer respostas satisfatórias para a grave crise sanitária e econômica na qual o país se encontra.


Na manhã de quarta-feira (25.mar.2020), Jair Bolsonaro reiterou a desinformação sobre as medidas preventivas ao novo coronavírus:


"O que precisa ser feito? Botar esse povo para trabalhar, preservar os idosos, preservar aqueles que têm problema de saúde. Mais nada além disso. Caso contrário, o que aconteceu no Chile vai ser fichinha perto do que pode acontecer no Brasil. Se é que o Brasil não possa ainda sair da normalidade democrática que vocês [imprensa] tanto defendem."


Causa alarme a sugestão de que as medidas preventivas levariam ao caos social. Da mesma forma, causa estranheza a noção de que a normalidade democrática estaria em risco, sobretudo quando esse tipo de ameaça é propalada pelo Presidente da República, que deveria ser o principal responsável por preservar a democracia e o Estado de Direito.


Diretoria da Abraji, 25 de Março de 2020.

Autor:Abraji