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25/06/2019

Contra redução de salários, 90% dos jornalistas de Alagoas cruzam os braços

Foto: Sindijornal


“Enquanto não retirarem a proposta de redução salarial ninguém volta pra redação”. A afirmação é da jornalista do Portal da TV Ponta Verde de Alagoas, afiliada ao SBT, Thayanne Magalhães, que junto com 90% da categoria está em greve desde a madrugada desta terça-feira (26).


A paralisação é contra a proposta feita pelos donos dos principais veículos de comunicação do Estado de reduzir em 40% o piso salarial dos jornalistas, alegando que o arrocho salarial é consequência da crise econômica que atinge o país.


Thayanne rebate a alegação da crise, lembrando que os donos dos meios de comunicação são milionários e tem até um grupo que está investindo milhões e ampliando sua área de atuação.


Ela lembra que o dono da TV Gazeta, afiliada da Rede Globo, é o Fernando Collor de Mello, um senador milionário, e que os donos do Pajuçara, afiliada a Record, são os usineiros Emerson Tenório, Guilherme Palmeira e José Thomaz Nonô.


“E os proprietários da TV Ponta Verde acabaram de fechar negócio com o grupo Api, em que só a compra de um hospital no Estado custou cerca de R$ 5 bilhões. Então o problema não é crise, né?”, questiona Thayanne.


“Me bateu o desespero. Com dez anos de formação, nunca me senti tão desrespeitada como mãe [a jornalista é mãe de dois meninos, de seis e dois anos], mulher e profissional”, disse.


A jornalista disse, ainda, que os empresários alegam que o piso salarial de Alagoas é alto, mas segundo ela, eles pagam o piso, não pagam hora extra nem plano de saúde e “ainda querem diminuir nossos salários? Só uma propaganda na emissora paga de 5 a 7 salários”, finalizou a jornalista num tom de revolta.


O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (SindJornal), Izaías Barbosa de Oliveira denunciou ao Portal CUT que as empresas de comunicação do Estado estão chamando trabalhadores e trabalhadoras de Pernambuco para substituir a categoria e colocar a programação das emissoras no ar.


“O advogado do sindicato já está no Ministério Público do Trabalho para denunciar esta irregularidade dos patrões. Isto é inadmissível”. Além disso, o SindJornal entrou com ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) com pedido de dissídio.


“Se esta proposta for aprovada a gente não dá um ano para que todos os profissionais sejam substituídos por outros trabalhadores com o piso que os patrões querem e isso não iremos permitir. Só voltaremos a trabalhar se abrirem negociação e retirarem a redução de salários da mesa de negociação”, afirmou Izaias.


Sindicato tentou negociar, mas empresas só querem reduzir salários


A categoria aprovou o estado de greve em assembleia do dia 30 de maio, mês da data base dos jornalistas alagoanos. A greve só foi aprovada pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras no dia 19 de junho, depois de inúmeras tentativas do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (SindJornal) de abrir negociação com os patrões.


Segundo Izaías, foram apresentadas pelo sindicato 9 propostas de negociação desde que começou a campanha salarial e eles [os patrões] não apresentaram nenhuma outra a não ser esta de redução de salários, que chega a quase R$ 1.500,00 a menos nos bolsos dos trabalhadores.


“Eles não estão querendo negociar e redução de salário a gente não discute”, afirmou o presidente do SindJornal.


A luta é de todos e de todas


O secretário Nacional de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, disse que os jornalistas não vão aceitar redução de salários, criticou a armação dos empresários e colocou a Central a disposição da luta.


“É uma armadilha patronal. Os donos dos meios de comunicação são gente de muitas posses e querem mexer no salário dos trabalhadores para aumentar seus lucros. A CUT Nacional dará todo apoio à greve dos jornalistas alagoanos para que os trabalhadores saiam vitoriosos”.


A presidenta da CUT Alagoas, Rilda Alves, está junto com a categoria desde as 3 horas da manhã nas portas das empresas de comunicação. Segundo ela, os donos das mídias em Alagoas duvidaram da mobilização da categoria, acharam que a greve não ia acontecer e não tentaram negociar.


“Se esta proposta de redução de salários passar pode abrir um precedente para outras categorias e isso é reflexo da reforma Trabalhista, que não era para gerar empregos e nem facilitar a vida dos trabalhadores, como o governo do golpista de Michel Temer alegava. Esta reforma só causou desemprego e trabalho precários, com perdas de direitos”.


A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, a Zequinha, também está desde cedo junto com os grevistas. Ela disse que é inconstitucional reduzir salários e que esta é uma proposta indecorosa.


Segundo a presidenta da Fenaj, o movimento de jornalistas alagoanos está dando exemplos para classe trabalhadora de resistência e de luta, dizendo não para a proposta dos patrões e resistindo com uma greve por tempo indeterminado.


“Queremos que esta greve não seja longa, que os patrões se sensibilizem, que o TRT julgue a favor do dissídio e que não haja redução de piso salarial”, finalizou Zequinha.


Além da CUT, outras centrais também estão apoiando o movimento grevista. Outras categorias do Estado e da região, parlamentares e representantes de partidos políticos também estão enviando apoio e solidariedade à luta dos jornalistas de Alagoas.


Hashtag #QuemPagaFazAoVivo


As empresas de comunicação em Alagoas gravaram seus programas matinais na noite anterior da greve desta terça. O Bom dia Alagoas, da TV Globo local, foi gravado com um dos dois apresentadores e matérias gravadas foram veiculadas.


A hashtag QuemPagaFazAoVivo, que ficou entre os trends topics do Twitter a manha toda, foi um recado da categoria e dos usuários da rede para os empresários dizendo que se quiser programação ao vivo tem que pagar os salários dignos aos trabalhadores.


Além disso, os telespectadores reclamaram também da programação confusa que foi colocada ao ar na manhã desta terça.


Meu sangue pelo jornalismo


No primeiro dia de greve da categoria, nesta terça, na portaria da Organização Arnon de Mello (OAM) acontece a campanha “Meu Sangue Pelo Jornalismo”, que visa incentivar a doação de sangue por parte dos comunicadores e de outras categorias que abraçam a causa desses profissionais.


“A ideia de levar o Hemoal para o nosso movimento foi para colaborar com a campanha permanente de doação de sangue. Nossa doação de sangue vai representar a própria dedicação diária do jornalista à sua atividade. É fundamental a participação de todos”, pontuou o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas, Izaías Barbosa.

Autor:Érica Aragão Fonte:CUT