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08/03/2018

Jogos, trapaças e dois jornalistas meliantes

Jogos, trapaças e dois jornalistas meliantes

Você sabe que a coisa tá feia quando sua liberdade começa a ser restringida. Foi assim que eu me senti quando trombei com um dos grandes fanáticos pelo Sindijorzão. O Valkiller.


O extremismo é complicado. Perigoso. E Valkiller é um representante extremo do futsal raiz. Tênis Topper preto, meião verde, caneleira grande, bermuda jeans abaixo do joelho, cofrinho a mostra e camiseta de time justa; devido à largura da barriga. Precisa dizer mais alguma coisa?


Quero registar aqui que esse cara me enquadrou num dos corredores da Stark e exigiu que eu escrevesse algumas linhas sobre sua pessoa. Como me senti intimidado, fui procurar o Sindicato.


Então, rapidamente, as coisas se resolveram. O Sindicato intermediou a situação e me protegeu das arbitrariedades. Agora, com o assunto resolvido, acredito que, no próximo domingo, eu consiga acompanhar a rodada do torneio com segurança.


Outra coisa. Depois desse ocorrido, pensei comigo: “pô, nessas horas o Sindicato está sempre pronto pra me ajudar, mas quando ele me chamou pra última plenária, no dia 1º de março, por exemplo, eu não fui!”.


Não adianta, o sindicalismo é igual um time de futsal: se não houver união e entrosamento, cada indivíduo vai correr pra um lado, atrás do seu interesse, e, no final da partida, vão perder todos juntos de goleada. Essa é a verdade.


E já que falei de Sindicato, gostaria de atualizar uma situação. Venho acompanhando o trabalho do TJD relativo à ação coletiva sobre a jornada excessiva em quadra. A judicialização do torneio tem sua origem na reclamatória dos atletas da terceira idade. Nos bastidores, após iniciar a tramitação dessa ação, uma guerra não declarada se iniciou.


Não é a primeira vez que as facções do torneio se envolvem em temas polêmicos. Alguns times inclusive pagam pessoas treinadas pra espalhar ‘fake news’ e gerar discórdia. Como é o caso da ‘CPI dos Mesários’. Ridículo! Só falta dizer que querem árbitro de vídeo!


Mas voltando ao Master do Sindijorzão, essa é a modalidade em que os grandes pensadores da bola entram em quadra. E digo mais: atualmente, também é o lugar onde os coroas encontram esperança!


Isso mesmo. No último domingo, suspeitei da movimentação que ocorria nas redondezas da ‘mesa da cerveja’ lá no fundão do salão da Stark. Disfarçadamente me aproximei e identifiquei um meliante, vulgo ‘Diabo Loiro’, recolhendo dinheiro de alguns atletas.


Detalhe: após o recebimento do dim dim, ele passava aos coroas uma espécie de cápsula. Havia inclusive uma fila pra adquirir o produto.


Descobri também que se tratava da ‘cápsula do amor’, nome conhecido no submundo. Ou seja, o tal do ‘Diabo Loiro’ comercializa e faz fortuna com uma espécie de Viagra falsificado! Parece que agora a organização do Sindijorzão está avaliando como conter essa epidemia medicamentosa.


Dizem que houve um acordo entre ‘Diabo Loiro’ e Manolo Ramires pra colocar clandestinamente as cápsulas na boca dos atletas. De acordo com fontes que preferiram não se identificar, o objetivo de Ramires é amolecer o coração dos jogadores que compõe a ação coletiva contra a organização do torneio.


Vale lembrar que o nome ‘Manolo Ramires’ surgiu após algumas investigações preliminares. Porém, antes desse processo, ele precisa responder na justiça sobre sua ligação com os jogos de azar.


De acordo com o MP, Ramires é o principal articulador das apostas do Sindijorzão. O cubano, inclusive, estava com prisão decretada, mas após vazamento da informação, sumiu. Obviamente isso explica sua ausência na última rodada do campeonato. Agora ele é um foragido da justiça.


Ressalto ainda que esse indivíduo viveu muito tempo em Cuba. Antes da revolução, ele comandava alguns cassinos em Havana. Por lá, as principais atrações eram Frank Sinatra e Tony Benett. Agora, no Brasil, ele montou um circo! Nomes como Soroca Eterno e Júlio Cambalhota fazem parte da sua trupe.


O fato é que, após a revolução, Ramires precisou fugir. Seus cassinos eram financiados pelos ianques e foram confiscados pelos cubanos. Hoje, no Sindijorzão, ele utiliza estrategicamente a narrativa de admirador do Che. Aí eu pergunto: até quando essa farsa vai continuar?


Um segredo: sei disso tudo porque recebi revelações dos mesmos profetas divinos daquele delegado gaúcho – do caso da seita satânica. Mesmo não tendo certeza e nem convicção, Ramires é sócio do ‘Diabo Loiro’. São dois meliantes de alta periculosidade.


Aliás, pra quem não sabe, o ‘Diabo’ veste Tranqueiras. E se alguém assistiu à partida entre seu time contra o Che, no Master, provavelmente escutou seus urros em quadra. Isso porque ele estava claramente possuído. Chegaram a dizer que merecia um prêmio de melhor ator do Sindijorzão. Infelizmente não existe essa modalidade, mas, de fato, aquilo foi uma possessão.


E já que eu falei em seita, veja como é a tal da superstição no futebol. A Pati Zeni, goleira do time Larga Mão, que o diga. Ela foi dispensada da equipe das Arsênicas e, justamente no enfrentamento entre os dois times, ganhou o prêmio de melhor em quadra. Pra quem acredita na ‘lei do ex’ fica aí o registro.


Mas quando se fala em superstição, muitas vezes entendemos como algo mais profundo. E é verdade. Um exemplo foi o que aconteceu com o ‘Homem Cueca’, jogador que atuou com as bolas “balançando e a cueca enfiada no cu”, como ele mesmo descreveu.


Muitos queriam saber sua identidade... ainda bem que eu preservei minha fonte.


Vocês acreditam que, após a notícia da cueca rasgada se espalhar pelo mundo, o ‘Homem Cueca’, mesmo sem ter sua identidade revelada, está com depressão?


Pra minha tranquilidade, o motivo não foi a exposição do ocorrido. Sei disso porque fui até sua casa tentar uma exclusiva. Infelizmente ele não quis falar. Pedi pra tirar uma foto da cueca, mas ele também recusou. “Eu nem a lavei ainda”, disse choramingando.


Fiquei preocupado e, antes de partir, disse pra esposa dele tirar a cueca de perto, pois ele poderia fazer alguma besteira. Afinal, não é sempre que se perde uma cueca da sorte.

Autor:Jornaldo