O mês de março como um todo e especificamente o dia 8 de março se caracterizaram como mês e o dia da mulher. Isso acontece por que na sociedade atual ainda não temos as tão sonhadas igualdades de classe, de raça, de orientação sexual e principalmente de gênero.
Temas vitais da vida em sociedade que ainda são tratados de forma diferentes para aqueles que não são brancos, para aqueles que não heterossexuais e para os que não são do gênero masculino, ou seja, não são homens. As mulheres ainda são as que mais sofrem nessa sociedade estabelecida a partir de históricos e seculares preconceitos para com o gênero feminino, e que de quebra ainda estão vinculadas e abrangem todos os outros preconceitos. Por que um grande número de mulheres no Brasil são da raça negra e também não tem a orientação sexual culturalmente estabelecida, ou seja, não heterossexuais.
O Mercado, símbolo maior do regime capitalista, que de tudo se apropria, tem tentado se apropriar também data afirmativa do dia 8 de março, reconhecido internacionalmente como dia internacional das mulheres e tentado transformá-lo em mais uma data pura e simplesmente comercial como são nos dias de hoje a páscoa, o natal, o dias das mães, o dia das Crianças, dentre outras datas festivas e extremamente rentáveis para o próprio mercado poder lucrar.
É para que fiquemos abismados, quando vemos campanhas e propagandas de televisão, com diversas redes de lojas de departamentos fazendo propaganda do dia 8 de março e oferecendo produtos dos mais variados tipos e modelos como alternativas de presente para o dia da mulher. Um oportunismo capitalista, mercadologicamente falando.
Definitivamente o dia 8 de março tem outra característica, partindo da perspectiva histórica, sociológica e política. Afinal como dissemos acima é uma data afirmativa, que busca trazer para setores organizados da sociedade uma visão importante do empodeiramento das mulheres nas relações sociais e na necessidade de profundas discussões avanços a conquistar nas relações sociais, que ainda nos dias de hoje trata as mulheres de forma diferente, com política diferenciada de salários entre homens e mulheres, através da dupla ou tripla jornada a que são ainda submetidas às mulheres e principalmente com relação à violência social cotidiana, que parte muitas vezes dos seus companheiros contra elas e contra seus filhos.
Mudar essa situação de submissão social a que ainda estão submetidas às mulheres é fundamental, principalmente por que a sociedade atual clama por transformações e respeito às diferenças sociais de raça, credo, cor e gênero. Somente assim podemos superar o status quo das relações sociais entre homens e mulheres.
Essa superação deve ser fruto de uma mudança comportamental e cultural nas consciências, principalmente das consciências masculinas, de nós homens. Porque foi nossa consciência de gênero culturalmente construída. E inúmeras vezes chegamos a reproduzir os conceitos tradicionais quando o assunto é gênero. Chegando ao absurdo de dizemos e expressarmos a todos nas sociedades que as mulheres eram cidadãos de segunda categoria, que não tinha acesso pleno ao mercado e as relações sociais. Ou por assim dizer, subalternas nas relações sociais.
Que busca enraizar nas consciências masculinas um visual de organização social diferente, calcado nas relações compartilhadas entre homens e mulheres em todos os aspectos da vida social, seja em casa com a divisão das tarefas mais simples do dia-a-dia, nos desvestindo dos pré-conceitos de que algumas tarefas como lavar louças, lavar roupas ou limpar a casa são “coisa de mulher”. Ou ainda na educação dos nossos filhos rompermos com tradições seculares como brincar com carinho é coisa de menino e brincar de boneca é coisa de menino. Precisamos afirmar as novas gerações que brincar de qualquer coisa é coisa de criança, independente de ser menino ou menina. Além é claro de preparar nossas crianças, sejam meninas ou meninos para a vida, com base no respeito as suas escolhas, e também o respeito a todos na sociedade, independente da cor, do credo, da raça, da orientação sexual e do gênero.
No ambiente do trabalho também é fundamental modernizar as relações entre homens e mulheres. Pois nesse ambiente também se reproduz socialmente uma consciência culturalmente construída da divisão social do trabalho que descrimina e submete as mulheres a funções subalternas e a menores salários, mesmo quando exercem os mesmo cargos dos homens. Essa situação mudou com o passar do tempo, mas ainda existe nas sociedades contemporâneas mais avançadas do mundo. Outro alarmante problema enfrentado pelas mulheres dentro dos locais de trabalho é o assédio moral no ambiente de trabalho, que inúmeras vezes são consequências da recusa ao assédio sexual. O Fato de as mulheres recusarem-se leva aos homens a exercerem o seu poder hierárquico sobre elas, o que caracteriza através do Assédio moral.
O Assédio moral é um mal das organizações hierárquicas como um todo, onde as relações de poder se estabelecem e o poder é exercido sobre aquele que não o tem, ou os tem em menor grau. Ou seja, geralmente é exercido de forma hierárquica dos que ganham mais sobre aqueles e aquelas que ganham menos.
São as mulheres vitimas quase que cotidiana da violência domestica, da violência sexual, das ruas e também do trabalho, que é expressa através do assédio que sofrem em seus locais de trabalho.
Em muitos estados brasileiros o que observamos são que os índices das violências praticadas contra as mulheres só crescerem. Denuncias constantes de assédio moral e sexual. De violência cometida por parceiros contra suas companheiras e também contra crianças, que fazem as estatísticas subirem para níveis que não se pode aceitar numa sociedade que se diz democrática e justa.
Apesar dos esforços feitos por todas as entidades a exemplo da CUT, das entidades que representam a organização das mulheres, e até de governos que investem em campanhas de denuncia das violências que as mulheres sofrem. Ainda assim, não temos tido diminuição desses índices de violência a que estão expostas as mulheres, principalmente as mulheres jovens, as mulheres negras, as mulheres pobres.
O cerne da questão de gênero está ligado à construção de uma consciência de gênero principalmente para os homens. E fundamental que se entendam as relações sociais atuais de forma diferente das sociedades arcaicas e tradicionais onde as mulheres tinham um papel subalterno social, política e principalmente economicamente. A independência financeira das mulheres, não mudou em partes a relação de dependência econômica, mas nos aspectos, político e social ainda existem muitas dificuldades para se estabelecer outros níveis de compreensão das conquistas e avanços e que as mulheres tiveram com o passar dos tempos.
Somente entendendo a superação dessas fases históricas das sociedades através dos modos de produção é que poderemos de fato compartilhar de relações de novo tipo entre os gêneros masculino e feminino. Por isso o dia 8 de março, é um dia importante de conscientização das relações compartilhadas para construirmos um mundo socialmente mais justo, fraterno e igualitário. Essa consciência de gênero deve ser amadurecida principalmente em nós homens, para que consigamos romper com a sociedade culturalmente machista em que fomos criados.
Por isso dia da mulher, sem dúvida nenhuma, são todos os dias! Mas o dia 8 de março A construção da consciência de gênero. Assim, saúdo e expresso o meu mais profundo respeito e felicitações a todas as mulheres, em especial as mulheres trabalhadoras: As trabalhadoras bancárias; as trabalhadoras da educação e as professoras do ensino primário, secundário e superior; as trabalhadoras as petroleiras e petroquímicas; as trabalhadoras vigilantes; as trabalhadoras da agricultura familiar; as trabalhadoras do movimento dos sem terra; as trabalhadoras da alimentação; As trabalhadoras estaduais; as trabalhadoras da Saúde; as trabalhadoras da construção civil; as trabalhadoras da construção civil pesada; as trabalhadoras da Justiça federal e estadual; as trabalhadoras as policiais civis e militares; as trabalhadoras autônomas, advogadas, engenheiras, médicas, enfermeiras, dentistas, psicólogas; as trabalhadoras jornalistas e campo da comunicação; as trabalhadoras da limpeza; as trabalhadoras domésticas, as trabalhadoras das confederações das federações e dos sindicatos e das oposições sindicais filiadas a Central Única dos Trabalhadores a CUT.
Enfim, a todas as mulheres que lutam pela construção de uma consciência de gênero como fomento da busca por uma sociedade justa, fraterna e igualitária, uma sociedade socialista.



