Audiência em Brasília irá ouvir repórter-cinematográfico atacado por cão da PM

Reprodução Band

O massacre que aconteceu contra os servidores públicos e a imprensa no dia 29 de abril no Centro Cívico de Curitiba ganha um novo capítulo. Agora o debate é em audiência pública interativa encabeçada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), amanhã (quarta-feira – 06 de maio)


Entre os dentes de um cão e os abusos da polícia outra guerra se instala. Agora para punir os responsáveis. Nessa disputa está um personagem: Luiz Carlos de Jesus, repórter-cinematográfico da TV Band; que trabalhava no dia em que aconteceu a guerra no Centro Cívico. O profissional estava na rampa da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ao lado de parlamentares e jornalistas quando foi atacado por um cachorro do Choque – Polícia Militar (veja o momento nestas imagens).

Jesus participará de mais uma batalha, desta vez em Brasília, quando irá relatar em audiência pública interativa realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) tudo que viu e sentiu. O profissional integra o grupo de servidores que representará o Comitê de Direitos Humanos Dia 29 de Abril, que investigará o excesso de violência da Polícia Militar na manifestação.

O repórter cinematográfico adianta ao SindijorPR que irá chamar a atenção para a questão do tratamento que os profissionais da imprensa têm recebido das autoridades paranaenses: “a impressão é que estão tentando calar os jornalistas no estado do Paraná. Uma coisa que até agora ninguém falou, mas é muito engraçada, é que estão querendo provar que fui eu que ‘mordi o cachorro’!”, ironiza ao se referir as muitas publicações e opiniões alegando que os jornalistas não deveriam estar no local onde estavam, ou seja, na rampa da ALEP – uma área teoricamente sem risco.

O trabalhador ainda levanta uma questão importante: “Vale lembrar que fui registrar o ataque de outro cachorro contra um deputado. Quem me garante que não tentaram me impedir de registrar? Eu só não quero que me culpem por ter levado a mordida de cachorro, porque parece que eu é que estava no lugar errado”, enfatiza Jesus.

A direção do SindijorPR acompanha o caso do repórter-cinematográfico Luiz Carlos de Jesus e dos demais profissionais que foram vítimas da truculência policial. “O SindijorPR integra o comitê formado por dezenas de entidades e estamos centralizando todas as informações sobre os abusos”, garante o presidente do Sindicato, Gustavo Henrique Vidal. Segundo ele, a estrutura do SindijorPR está a disposição de Luiz Carlos e dos outros profissionais que ficaram feridos. “O Sindicato também tomará as medidas possíveis para denunciar as agressões”, afirma.

Massacre: de um lado os trabalhadores e as imagens relatam o absurdo, um massacre. Já pelo lado institucional, diversas justificativas, que normalmente caem por terra quando analisadas de forma parcial. Amanhã, em Brasília, Luiz Carlos de Jesus poderá relatar tudo que viu: “vou falar sobre a quantidade de bombas sendo lançadas. Do aparato policial sendo usado. Falar do excesso que testemunhei. Até porque, o lugar onde eu estava não tinha manifestante e infelizmente fui atacado e, por deus, não perdi a vida”, explica.

Diversas entidades e iniciativa política cobram das instituições responsáveis, em várias esferas, providências diante da violência do dia 29 de abril. “Eu espero sim que as devidas providências sejam tomadas em relação ao massacre que aconteceu. Até porque não fui o único da imprensa que foi agredido”, completa Jesus.

Audiência


No dia 29 de abril, quando o projeto da Paraná Previdência foi votado, na Assembleia Legislativa do Paraná, protestos no Centro Cívico terminaram em mais de 200 feridos por balas de borracha e bombas de efeito moral, além de sete manifestantes presos. A Secretaria de Segurança Pública afirma que entre os feridos, 20 são policiais.

O Ministério Público paranaense investiga se houve excessos na repressão policial e abuso de autoridade. A audiência foi requerida pelo presidente da CDH, Paulo Paim (PT-RS), e pelas senadoras Regina Sousa (PT-PI), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Fátima Bezerra (PT-RN). A audiência também contará com a participação de deputados federais.

Foram convidados para a audiência pública Carlos Alberto Richa, governador do Paraná; Francisco Francischini, secretário estadual de Segurança; coronel Adilson Castilho Casitas, Chefe da Casa Militar; Hermes Leão, representando o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná; Celso Augusto Schröder, representante da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente do Conselho Federal da OAB; Pepe Vargas, ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; e Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional.

A reunião começa às 9h, na sala 2 da Ala Senador Nilo Coelho (Mais informações aqui).

Fonte:SindijorPR

Autor:Regis Luís Cardoso

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