“Carro do Sonho” passou pelas empresas de comunicação da capital para alertar sobre o andamento das negociações com os sindicatos patronais
Uma narração diferente da tradicional, ouvida há décadas pelos bairros de Curitiba, ecoou na porta das principais empresas de comunicação da capital paranaense. Um aviso direto e sem rodeios às e aos jornalistas profissionais: o sonho de aumento salarial pode virar pesadelo. Durante seis horas seguidas, um carro de som contratado pelo Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) percorreu as redações de Curitiba com uma mensagem objetiva, alertando as e os jornalistas sobre a urgência de uma participação mais efetiva e engajada nas ações sindicais.
A mobilização nas ruas reflete o clima de tensão que tomou conta das negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2027. Apesar da expectativa da categoria, os sindicatos patronais ainda não apresentaram nenhum avanço para o piso salarial, mantendo a proposta anterior limitada à reposição da inflação pelo INPC (4,11%). A justificativa patronal é de que as empresas não se planejaram para valores acima do índice e que a reposição asseguraria o poder de compra. Durante as negociações uma justificativa repetida pelos representantes dos patrões é de que o cenário para os empresários é “complexo”.
Justificativa que desde o começo das negociações vem sendo categoricamente rebatida pela presidenta do SindijorPR, Aline Reis. “Aceitamos um reajuste abaixo da inflação durante a pandemia para não sermos demitidos, mas os anos passaram e dezenas de profissionais foram demitidos enquanto as empresas ampliaram seu patrimônio.” Sandro Silva, do Dieese-PR, reforça que o cenário nacional mostra a maioria dos trabalhadores estão garantindo ganho real, o que escancara o sucateamento da profissão de jornalista no Paraná. A categoria aprovou em pauta a disposição de lutar por um piso de R$ 5,2 mil.
Parte da narrativa de um cenário “complexo” para os empresários paranaenses se desmonta ao consultarmos o Portal da Transparência do Governo do Paraná. Desde 2020 até maio de 2026 o executivo paranaense pagou para publicidade institucional R$ 656.548.487,17 para jornais, TVS, rádios e revistas. E nessa conta ainda não está o que foi pago para publicidade em internet, que, em muitos casos, são empresas que fazem parte dos grandes grupos de comunicação do Paraná.
A ação do carro de som nas ruas da capital deixa claro que a garantia de conquistas reais e a fuga do “pesadelo” salarial dependerão diretamente da capacidade de mobilização e da presença maciça das e dos jornalistas nas próximas assembleias e atos da categoria.

