Dia 29: Jornalistas também têm responsabilidades no debate da Visibilidade Trans

O SindijorPR está na luta pela Visibilidade Trans: pelo respeito à identidade de gênero; pelo fim do preconceito e agressões psicológicas e físicas; pela igualdade de acesso ao estudo e ao mercado de trabalho; pelo reconhecimento do nome social; pela garantia de debate de gênero nas escolas e nos meios de comunicação; e pela representatividade ocupando também cargos de jornalistas.

Em 29 de janeiro de 2004 foi lançada pelo Ministério da Saúde uma campanha chamada “Travesti e Respeito”. Desde então a data passou a ser referência como o Dia da Visibilidade das Travestis e, posteriormente, como o Dia Nacional da Visibilidade Trans, para também contemplar mulheres transexuais e homens trans.

Mas essa luta é cotidiana. Travestis, mulheres e homens trans são violentados todos os dias, seja em ações de desrespeito e preconceito que se expressam através de injúrias e ataques psicológicos, enfrentando, inclusive, mais barreiras para acessar as universidades e o mercado trabalho; mas também nas agressões físicas. Nesse aspecto, o ano de 2016 começa batendo todos os recordes negativos. Segundo levantamento realizado pela REDTRANS – Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil, já aconteceram 56 assassinatos de travestis e transexuais nos primeiros 25 dias deste ano.


Visibilidade em Curitiba

Hoje (29), em Curitiba, a Boca Maldita é espaço de ato público pelo Dia Nacional da Visibilidade Trans. O evento vai das 10h às 17h e é organizado pelo Transgrupo Marcela Prado, em parceria com o Grupo Dignidade, tradicionais coletivos de promoção de direitos da população LGBT na cidade. O objetivo é promover os direitos humanos, o respeito à identidade de gênero e a busca do direito à vida sem preconceito e discriminação.

O ato conta com diversas atividades durante todo o dia, sendo realizadas enquetes sobre o que é ser trans, mostra de fotos e contando com a presença da equipe do Projeto Jurídico de Direitos Humanos LGBT. A ONG também recolherá doações de roupas, alimentos e materiais de higiene.

Papel da comunicação

Os jornalistas, como profissionais que executam uma profissão que contribui na formação de opinião, têm o papel de respeitar e educar. “Já temos legisladores que não consideram papel da escola educar sobre gêneros. A imprensa tem obrigação de respeitar e ampliar o debate”, aponta Mariana Franco Ramos, diretora de fiscalização do SindijorPR.

Nesse sentido, o Sindicato acredita ser papel de toda a categoria respeitar e naturalizar as formas de tratamento com pessoas trans, se referindo a uma mulher transexual – isto é, uma pessoa que nasceu com características sexuais masculinas, mas se identifica com o gênero feminino – no feminino. E a um homem transexual – uma pessoa que nasceu com características sexuais femininas, mas se identifica com o gênero masculino – se referir no masculino.

Lembrando do caso da manchete que foi noticiada sobre um possível namoro entre Keanu Reeves e a atriz Jamie Clayton, da conhecida série Sense8, do Netflix, também se aponta um importante debate do papel da comunicação. A notícia destacava o fato de Jamie ser transexual já em seu título, transformando uma simples possível história de amor em um assunto extraordinário por se tratar de um homem cisgênero se relacionando com uma mulher trans, deixando de lado todo talento de Jamie e suas conquistas profissionais, por exemplo.

Nesse sentido se relaciona também o caso Viola Davis, quando, em setembro de 2015, foi a primeira mulher negra da história a ganhar um Emmy de melhor atriz na categoria dramática por How To Get Away With Muder. Na ocasião, Viola afirmou que a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade: “Da mesma forma, a única coisa que difere um transgênero de um cisgênero é oportunidade”, conclui a diretora do SindijorPR.

“Nós jornalistas temos o papel de efetivar a visibilidade que as pessoas transexuais precisam na sociedade, negadas a elas historicamente, mas temos que ter o equilíbrio para não demarcar demasiado a identidade de gênero já que qualquer pessoa tem inúmeros outros motivos para reconhecimento. Temos também responsabilidade em pautar os casos de agressão e assassinatos, sendo o Brasil um dos países mais violentos com travestis e transexuais do mundo, mas, para além, precisamos de mais representatividade trans também ocupando o papel de jornalistas”, reflete Mariana.

Leia também: Após lutar por seu nome social, estudante de Farmácia fecha ciclo como a 1ª transexual a se formar na UEPG

Autor:Laís Melo – Com informações: REDTRANS, Bem Paraná e Gazeta do Povo

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