ReperCUT Paraná: A cobertura da imprensa no processo eleitoral 2014

Os jornalistas e professores universitários Mário Messagi e Guilherme Carvalho foram os convidados da edição desta semana do ReperCUT Paraná. Eles fizeram uma análise sobre cobertura da imprensa nas eleições presidenciais deste ano, falaram sobre o papel das redes sociais, boatos na internet, regulação da mídia e o que se espera das grandes redes de comunicação.

“Em uma democracia mais madura os veículos não tem receio de afirmar sua posição, como na Espanha, na França e nos Estados Unidos. O meio pode defender a posição que bem queira, o que ele não pode, movido por isso, é direcionar a sua cobertura em função das suas posições”, ressaltou Mário Messagi.

De acordo com ele, no Brasil este processo é diferente do que se observa em democracias desenvolvidas. “São meios que negam seu posicionamento mas fazem cobertura muito enviesada, muito favorável ao seus pontos de vida e de seus candidatos. Uma coisa que é o papel que assume e outra é a cobertura”, diferenciou. “O José Serra estava depondo na Política Federal sobre o escândalo dos trens em São Paulo e saiu uma nota na Folha de São Paulo. A folha tem o direito de gostar do Serra e apoiá-lo. O que ela não pode fazer é uma cobertura desproporcional que seja favorável ao seu candidato”, completou.

O jornalista e presidente do Sindijor Guilherme Carvalho destacou paralelos comparativos desta eleição com outras corridas presidenciais ocorridas em anos anteriores. “É engraçado perceber como a mídia, a convencional, comercial, trata a questão das eleições. Temos capítulos diferentes para cada uma delas. Em 2001, por exemplo, o Lula e o Serra eram os dois candidatos e a Globo não deu cobertura, simplesmente silenciou. Era uma cobertura diferente. Agora vemos uma exposição muito grande, como foi o caso do Eduardo Campos, quando a imprensa explorava detalhes da morte, do acidente e da figura pública. Isso resultou em um crescimento gigantesco de pessoas que estavam dispostas a votar em Marina Silva, que era vice do Eduardo Campos”, analisou.

O papel das redes sociais nestes eleições, de acordo com Mário Messagi, foi ambíguo. Ao mesmo tempo em que elas acabaram com o monopólio da informação dos veículos tradicionais, elas também serviram como uma central de boatos. “ As pessoas são supridas de informações toraras que desejam encontrar para que endosse a sua posição”, analisou. “Eu acompanhei (no caso do boato da morte do doleiro Alberto Yousseff) uma pessoa dizendo que ele estava em uma UTI blindada. Ela não desconfia que a informação não faz sentido. Elas ainda não estão preparadas para lidar com informações inverossímeis”, analisou.

Guilherme Carvalho também criticou o caso da edição da revista Veja, que teve a sua circulação adiantada com uma matéria de capa cujo teor foi desmentido dias após a realização do segundo turno das eleições.

“O caso da Veja vai ser mais um dos casos a serem estudado, desta tentativa da mídia de definir a história eleitoral brasileira, assim como foi o caso da Globo quando editou debate entre Lula e Collor”, recordou. De acordo com ele, esse é o exemplo do mau jornalismo. “Todo o trabalho de reportagem considera a apenas uma única fonte, que é de segunda mão, de um depoimento que teria ocorrido de um dos maiores criminosos que passa a ser tido como donos da verdade”, finalizou.

Veja o programa na íntegra aqui.

Fonte:CUTPR

Autor:CUTPR / edição: Sindijor

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