Jornalistas em promoção: descontos chegam a 40%

A três dias de nossa data-base, os patrões voltaram a mostrar na quinta-feira todo o respeito que têm pela nossa profissão: não querem somente congelar o piso, mas também diminuí-lo. Isto mesmo: pela proposta apresentada pelo Sindicato das Empresas de Radiodifusão do Paraná, hoje à tarde em mesa-redonda com o Sindijor e Sindicato dos Jornalistas de Londrina na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), jornalistas de rádio do Interior do Estado passariam a ganhar até 40% menos que os demais profissionais. O “desconto” seria proporcional à população dos municípios – 20% para cidades com mais de 300 mil habitantes; 30% em cidades entre 100 mil e 300 mil habitantes; e 40% para os municípios de até 100 mil habitantes. Com isso, um jornalista poderia ser contratado por R$  1.100,52 – sem direito a reclamar.

Quem propõe a “liquidação” é o presidente do Sindicato de Rádio e TV, Roberto Lange, que, em sua rádio, em Coronel Vivida, paga, segundo afirmou, o piso salarial à única jornalista contratada; e deu o motivo: “só porque é minha filha; se fosse outro, não teria condições”. A você, jornalista que não é filho de dono de rádio, já sabe o que eles desejam. É a precarização pura e simples das condições de trabalho, em que alguns profissionais terão de trabalhar como quaisquer outros – ou mais, para suprir a falta de mão-de-obra – e vão receber muito menos por isso. A razão, segundo eles, é a baixa rentabilidade de pequenas rádios, o que os leva a supor, num raciocínio torto, que os seus empregados têm menos valor.

Proposta dos trabalhadores

Os jornalistas, por seu turno, querem sair do impasse que inviabiliza o fechamento da convenção. Por isso, o Sindijor, num gesto de boa vontade, apresentou a pauta reduzida, aprovada em assembléia da categoria no dia 30 de agosto, que inclui 13 cláusulas da convenção vigente que teriam nova redação – referentes ao reajuste salarial, à relação de empregados, às eleições das Cipas, ao direito de assembléia, à reprodução de material já publicado, à contratação exclusiva de profissionais para as funções jornalísticas, aos direitos autorais, à assistência sindical em rescisões e ao fornecimento de periódicos aos trabalhadores.

Outros oito itens novos foram propostos; um deles com impacto econômico (o aumento real de 9% escalonado em três anos) e outras sem onerar diretamente as empresas: a vedação à organização paralela, o período sabático de estudos, medidas de incentivo à formação profissional, a licença para estudos, a dispensa para participação em congressos e seminários, a liberação de dirigente sindical e o direito de divulgação das ações sindicais nos veículos.

Pela proposta, os salários seriam reajustados pelo INPC de outubro de 2006 a setembro de 2007 (índice que está estimado em 5%) e sobre o valor já reajustado incidiria o aumento real de 3% (primeira das três parcelas), o que faria o piso da categoria passar dos atuais R$  1.746,85 para R$  1.889,22. A proposta vai ser analisada pelos sindicatos patronais, para uma nova rodada ser realizada no dia 10 de outubro, às 14h, na DRT.

Fonte:SINDIJOR-PR – tele-fax (41) 3224-9296

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