Na quarta-feira (25), em audiência de conciliação referente à campanha salarial no Tribunal Regional do Trabalho, as empresas de assessoria de imprensa, organizadas no Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação Social (Sinco), depois de não aparecerem em uma primeira reunião com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro, anunciaram que não haveria hipótese de conciliação de fato, afirmaram que não reconhecem a categoria dos jornalistas como interlocutora para assuntos trabalhistas e relataram que estão em vias de enquadrar todos os jornalistas de assessorias como publicitários.
Para Paula Mairan, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, a dificuldade de relação com o patronato é constante, com um nível de intransigência cada vez maior, mas no caso das assessorias de imprensa essa intransigência avança para níveis de ataques que são inadmissíveis. “Em especial, aqui no Rio de Janeiro estamos sem negociar, de fato, desde 2011. Eles se ausentam e não chegam a criar situações para negociações entre o sindicato patronal e dos jornalistas”, explica.
Por esse motivo, o Sindicato carioca decidiu entrar com um pedido de mediação no Ministério do Trabalho. “Houve rodada nas quais parecia avançar o processo, mas que, em um determinado momento, emperrou, porque houve a intransigência desse patronato em relação às jornadas, que eles insistem em ser de oito horas, e em relação ao piso, que eles insistem que seja um piso para oito horas e não para cinco horas. Desse cenário, entramos com um pedido de dissídio”, detalha Mairan.
Já com o argumento que era ensaiado nas mesas do Ministério do Trabalho, os representantes do Sinco vieram com o discurso de que não aceitam negociar com o Sindicato dos Jornalistas, pois não reconhecem os jornalistas assessores de imprensa como uma categoria que trabalha para eles.
“Alegam sim que a atividade do assessor de imprensa não é jornalística, que é uma atividade de publicidade e que quem trabalha para eles é enquadrado como publicitário. Inclusive, anunciaram que estão reformando o estatuto deles, que estão desmembrando o sindicato patronal em diferentes sindicatos e, nesse caminho, nós não seríamos mais interlocutores desse patronato na área de assessoria”, explica sobre os impactos, Mairan.
A presidenta destaca também uma cláusula citada pelo Sinco referente ao novo estatuto, nela caberia ao assessor de imprensa omitir informações para proteger a imagem de seus clientes. “Veja o nível de ataque, na minha avaliação, não só contra a nossa categoria, mas contra a sociedade. O trabalho do assessor de imprensa não pode ser confundido, de modo algum, com o trabalho do publicitário. O assessor não vende produto ou serviço, ele trabalha mediações entre a mídia e as organizações onde está, seja no público ou privado, de modo a garantir transparência, prestação de contas e atendimento as questões relacionadas a liberdade de expressão, livre acesso a informação e garantir ao jornalista as informações que sejam de interesse público, que sejam relevantes para o bem comum”, enaltece Paula.
JORNALISTAS EM LUTA
Nesse cenário, jornalistas de todo o Brasil estão se organizando, a partir de seus sindicados, para mobilizações nacionais. Nesta quinta-feira (03), às 19h30, acontece no SindijorPR uma reunião com jornalistas assessores de imprensa para traçar estratégias, todos estão convidados.
“Não podemos permitir que se concretize esse modelo que o patronato tenta nos impor. Precisamos abrir os olhos e agir de forma unida e organizada no Brasil inteiro para fortalecer a luta no Rio de Janeiro, envolvendo o processo judicial citado. Não podemos admitir que o Rio vire precedente da desqualificação dos profissionais de jornalismo que atuam em assessoria de imprensa”, convoca Mairan, desde o Rio de Janeiro.
Autor:Laís Melo


