Na mesa de negociação realizada nesta segunda-feira, Sert-PR e Sindejor se comprometeram a apresentar nova proposta para renovação da CCT
O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) sediou mais uma rodada de negociação para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 nesta segunda-feira (22/06), em Curitiba.
Na ocasião, em conjunto com o Sindijor Norte PR e com a participação do assessor jurídico Christian Mañas e do supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR), Sandro Silva, os sindicatos trabalhistas receberam os negociadores patronais, Rita de Cácia Guérim (Sindejor-PR) e Carlos Roberto Ribas Santiago (SERT-PR), além de representantes dos principais grupos de comunicação do Paraná.
Durante a mesa de negociação, os patrões não apresentaram nenhum avanço quanto ao piso da categoria, mantendo a proposta anterior, limitada ao reajuste pelo INPC incidente na data-base, de 4,11%. Rita de Cácia justificou que as empresas não se planejaram para trabalhar com valores além da reposição do índice inflacionário e que, na visão dos empresários, o INPC já asseguraria a manutenção do poder de compra da categoria.
A presidenta do SindijorPR, Aline Reis, manteve a posição firme das e dos jornalistas, que há anos esperam por uma valorização concreta no piso. “Se considerarmos as perdas que acumulamos durante a pandemia [10,41%], estamos pagando para trabalhar. Lembrando que aceitamos um reajuste abaixo da inflação durante a emergência sanitária para não sermos demitidos, mas fomos demitidos do mesmo jeito e não tivemos nenhuma reparação. As empresas, ao contrário disso, aplicaram seus lucros e ampliaram seu patrimônio”, argumenta, lembrando que jornalistas paranaenses precisam ter mais de um emprego para se manter.
Silva lembrou que o monitoramento realizado pelo Dieese tem demonstrado que a maioria das e dos trabalhadores brasileiros vem garantindo aumento real nas negociações coletivas. “Isso revela o sucateamento imposto à categoria dos jornalistas no Paraná. E é importante destacar que a inflação não capta os juros, o que considerando o cenário geral de endividamento, aponta para a imposição de uma penalização ainda maior contra a categoria”, analisa.
Tanto Reis quanto a representante do Sindijor Norte, Kristhianne Schornobay, foram taxativas ao enfatizar que se os patronais insistirem em 0% de aumento real, haverá resistência das bases. Na pauta de reivindicações aprovada pela categoria, as e os jornalistas expressaram disposição para lutar pelo estabelecimento do piso de R$ 5,2 mil no Paraná. “Não iremos tolerar mais esse desrespeito”, afirma Kristhianne.
Day-off
Sobre o pedido da categoria para o estabelecimento de uma política de concessão de folga no dia do aniversário da pessoa trabalhadora, embora os patronais tenham ficado na defensiva, alegando que as empresas já têm outras preocupações referentes à possibilidade de mudança legislativa quanto ao fim da escala 6×1, representantes do Sert-PR e do Sindejor ficaram de apresentar uma proposta de texto para a cláusula. “Isso não empobrece as empresas e faz bem para a categoria”, cita Reis.
Segurança
Apesar de os sindicatos de jornalistas terem proposto uma cláusula estabelecendo um grupo de trabalho para tratar da criação de um protocolo de segurança para a atividade jornalística no estado, os representantes dos empregadores se recusaram, inicialmente, a participar de qualquer iniciativa para reduzir os riscos profissionais no Jornalismo. Para os empresários, as disposições – desatualizadas – presentes na CCT já seriam suficientes.
Durante a discussão, SindijorPR e Sindijor Norte ponderaram que o Paraná é um dos estados que mais registra casos de violência contra jornalistas no Brasil e que quando essas situações lamentavelmente acontecem, ainda é comum que jornalistas não contem com apoio e suporte adequados por parte das empresas, exigindo intervenção frequente dos sindicatos. “O que estamos buscando é dar o mínimo de tranquilidade ao trabalhador e formar esse grupo de trabalho não irá onerar o caixa das empresas. Ao contrário, tende a reduzir eventuais riscos para os empregadores também”, avalia Reis.
Diante do apelo dos sindicatos, os negociadores patronais assumiram o compromisso de reavaliar a questão junto aos patrões.
Licença-paternidade
Ainda durante a rodada de negociações, Rita e Santiago apresentaram o compromisso dos empresários de trazer de volta para a mesa a ampliação da licença-paternidade de 10 para 12 dias. O pleito já tinha sido apresentado pelos sindicatos de jornalistas no início das negociações e tinha sido negado pelos patronais.
Ao final da reunião, que durou pouco mais de uma hora, os negociadores afirmaram que uma nova proposta patronal será formalizada nos próximos dias.




