Protesto em Curitiba tem momentos distintos, mas legitimidade plena

Ontem (17), cerca de 10 mil pessoas saíram da Boca Maldita, às 18 horas, e fizeram grande ato cívico e pacífico pela capital paranaense. Este foi o terceiro protesto contra o aumento das tarifas do transporte público na cidade. No ‘face’ mais de 30 mil pessoas apoiaram o evento. O número de manifestantes divulgado pela PM mostrou a legitimidade do protesto, que percorreu o centro da capital paranaense num ambiente pacífico e plural; com diversas vertentes de movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, estudantes, secundaristas e trabalhadores.

Segundo integrantes que faziam a frente no percurso (identificados com uma fita laranja amarrada no braço), o protesto em Curitiba é direcionado a redução da tarifa de ônibus (R$ 2,60 em dias úteis e a R$ 1 aos domingos); contra a repressão e à criminalização de movimentos sociais; passe livre para estudantes; abertura da "caixa-preta" da Urbs e transparências nos subsídios; constituição de frota pública; contra os "crimes de Estado da Copa do Mundo", entre outros.

Roteiro: Da Boca Maldita (no calçadão da Rua XV), seguindo pela Dr. Muricy, Emiliano Perneta, Desembargador Westphalen, André de Barros, Tibagi até Av. Sete de Setembro com a Mariano Torres, onde ocorreu uma parada, depois pela rua XV de Novembro até à Praça Santos Andrade, tudo caminhou perfeitamente.

Na Praça em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) os manifestantes se aglomeraram. Os gritos aclamavam a participação do povo nas ruas, apelos por mudanças, melhoras nas condições sociais e redução da tarifa do transporte: “se a tarifa não baixar Curitiba vai parar”, gritava a massa.

Manifestação em partes

Era visível, por quem caminhava ao lado dos participantes (com uma visão de participante também), que havia muita gente descontente. Isso não quer dizer que essa reprovação era destinada exclusivamente ao governo federal, ou mesmo ao governo do Paraná: o descontentamento era geral. Ao mesmo tempo em que tinha muita gente contente em participar de uma manifestação, talvez pela primeira vez na vida.

Cartazes de todos os tipos, com todos os escritos, decoravam o percurso. Pouco vandalismo neste primeiro momento, sendo que os próprios integrantes da manifestação gritavam, ao perceber qualquer foco de “desvio de conduta”, as palavras “sem violência” ou “sem vandalismo”.

Esse clima que misturava descontração e atitude ganhou um ar mais sério na chegada a praça Santos Andrade. Uma briga foi logo contida entre dois jovens quase na calçada da praça, próximo aos pontos de ônibus, beirando a rua Alfredo Bufren que segue sentido Alto da XV. É importante destacar que os próprios manifestantes continham os focos de confusão.

Outro detalhe que chamou atenção, não só em Curitiba, foi a questão das bandeiras partidárias. Integrantes PSTU sofreram na capital paranaense. Muitos manifestantes gritavam “abaixa a bandeira”, além de ofensas. Depois de um tempo, os membros do partido acataram e recolheram seus panos.

Divisão

Grande parte dos manifestantes ficou na Praça Santos Andrade, mas muita gente decidiu partir em direção ao Palácio Iguaçu. Nesse momento a Avenida Cândido de Abreu ficou lotada de pessoas de todas as idades, mesmo que a grande maioria fosse jovem, pais com seus filhos também enriqueceram a noite do dia 17.

Já na sede da administração estadual, um pequeno grupo (em comparação ao que foi a manifestação) tentou entrar na porta lateral ao prédio público. Nesta hora, por volta das 22 horas, a situação ficou mais tensa. Ao mesmo tempo em que muita gente (maioria) cantava pacificamente em frente à Assembleia Legislativa do Paraná e também em frente ao Palácio.

Dentro do prédio público, o que se viu foram dois computadores e uma mesa quebrados, além de danificar o compartimento de segurança contra incêndio; o ambiente ali não era tenso, não parecia ter passado muita gente por lá e a intenção do quebra quebra foi visivelmente de uma minoria.

Já em frente ao portão que dá acesso aos fundos do Palácio, onde muitos Policiais Militares aguardavam para agir, a situação parecia mais descontrolada. Alguns gritavam “sem violência” e “sem vandalismo” e outros partiam pra cima do portão, para derrubá-lo; houve briga entre os próprios manifestantes. A situação ficou mais perigosa quando algumas pessoas conseguiram danificar a portão do Palácio e jogar objetos na polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo.

Após este breve confronto, os manifestantes dispersaram e poucos ficaram para enfrentar a PM. A partir daí, uma minoria, na Praça Nossa Senhora da Selete, em frente ao Palácio, atirou objetos nos policiais da Tropa de Choque, que respondeu novamente com gás lacrimogêneo. A névoa química afastou a todos.

Próxima manifestação

Está marcada para o dia 21 de junho a “Farofada pelo Transporte Público”. Na página da manifestação no Facebook, a mobilização tem como principal queixa a situação do transporte público na capital paranaense. Os protestos reúnem grupos como a Organização das Farofadas, Marcha da Maconha, Marcha das Vadias e integrantes de partidos políticos.

Por Regis Luís Cardoso (*Foto: Joel Rocha).
 

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