“Jornalistas conversam sobre tudo, mas poucos falam sobre seus direitos”. Esta reflexão surgiu dia desses numa conversa com amigos jornalistas. De fato, sabemos (ou fingimos saber, procuramos saber), lemos, escrevemos e muitas vezes nos indignamos com injustiças do mundo. Às vezes até lutamos pelos direitos alheios, sim, os direitos alheios. Assim, às vésperas de mais um dia 7 de abril – Dia do Jornalista – como estão nossos direitos?
Piso salarial, horas, ambiente, relações de trabalho, contratos, carteira de trabalho? São inúmeras as batalhas que compõem o cotidiano dos trabalhadores da imprensa. A categoria ainda é pouco organizada e muitas vezes nos sujeitamos a situações degradantes para exercer a profissão.
Não por acaso foi detectado em pesquisa concluída recentemente o aumento na incidência de depressão e uso de drogas como cocaína e anfetaminas entre os jornalistas. A pesquisa foi realizada pelo professor José Roberto Heloani, da Unicamp que apontou o assédio como um dos fatores agravantes da situação.
A figura do jornalista vive em torno de uma idealização tanto por parte da sociedade como da própria classe. Temos acesso a muitas informações, assim sendo, somos responsáveis pelo processo de comunicação social. Sem dúvida um trabalho de enorme relevância e alto nível de responsabilidade.
Talvez seja necessário que o jornalismo perca um pouco o ar de soberania para identificar a raiz de seu próprio problema. Ainda somos uma segmento importante para o bom andamento do mundo, mas é fato que a profissão está precarizada e precisamos admitir isso.
Olhar para própria ferida é sempre mais difícil, mas este será um desafio em prol da dignidade do jornalismo. Será um trabalho de investigação, de vasculhar em nosso próprio dia-a-dia de trabalho tudo aquilo que não está dentro dos padrões legais e morais para o exercício da labuta.
Temos a lei, temos um sindicato e ainda somos privilegiados por temos acesso às informações pertinentes a nossa categoria, quando tantos outros trabalhadores carecem destas condições. Precisamos nos despir daquele senso de que somos intocáveis e encararmos a realidade que nos cerca.
Fernanda Regina é jornalista e diretora de cultura no Sindicato dos Jornalistas – Subseção de Foz do Iguaçu e região.


