Aumento real: quando o jornalista será a notícia?

Estava na manchete da Gazeta do Povo de sábado: “Reajustes salariais superam inflação em 2007, diz Dieese”. Também dava matéria a Folha de Londrina: “Reajustes foram superiores ao INPC”. O Jornal do Estado informava sobre trabalhadores que conquistavam a reposição da inflação e de muitos que iam além. Em O Estado do Paraná: “Aumento real em negociação salarial”. O estudo do Dieese, divulgado no dia anterior, era conclusivo: os trabalhadores vêm desde 2004 consolidando resultados positivos no fechamento das convenções e acordos coletivos. De 280 negociações concluídas neste ano, 97% apresentaram reajustes equivalentes ou superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC, do IBGE). Desses reajustes, 88% trouxeram ganhos reais, dos quais 40% são superiores a 1,5%. Ironicamente, aqueles cujo trabalho é informar – inclusive sobre o ganho real de outros trabalhadores – estão há muito sem ver aumento real. Nos últimos dez anos, os jornalistas paranaenses vêm somente recebendo a reposição da inflação e acumulam entre os sucessivos reajustes, perdas que já chegam a quase R$ 10 mil – o que é ainda mais grave quando se sabe que a faixa salarial do jornalista é a mais sensível à perda inflacionária. Enquanto isto, de real, mesmo, somente casos de assédio moral, de más condições de trabalho, de salários abaixo do piso e jornadas muito além das cinco horas diárias. Chegou a hora da mudança. Se noticiar o aumento real dos outros é interessante, muito melhor – e necessário – é testemunhar o próprio aumento real. Os jornalistas estão mobilizados para conseguir na Convenção Coletiva a reposição da inflação, estimada em 4,5% e aumento real de 11% sobre os salários já reajustados. E, a fim de compensar as perdas, a categoria reivindica abono de 25% sobre o salário já reajustado. E, se o patronato da imprensa lê o que publica poderia – se não por senso de justiça ou por consideração aos colaboradores, mas simplesmente, para não ser a bandeira do atraso – repensar o quanto paga aos trabalhadores.

Fonte:SINDIJOR-PR – tele-fax (41) 3224-9296

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