Jornalista é categoria comprometida com a democracia e com os princípios sociais. Tá na hora de lutar!
Durante o 8º Congresso dos Jornalistas organizado pelo SindijorPR, pude participar do lançamento formal e institucionalizado de uma ideia que sempre rondou minha vida. Quando me perguntam quem sou, minhas palavras são, nesta ordem: mãe, jornalista, professora. É assim. Jornalista sempre esteve no top três palavras que me definem a partir de sonhos que realizei.
Mas, e quando sonhar com algo é solitário? Logo que entrei para o mercado de trabalho, chegava em agências, redações, órgão públicos, editoras e nunca – ou quase nunca, tanto faz – tinha uma Ana Luísa. Jornalista, mulher preta. Notem que lá nas minhas descrições, não me apresentei como mulher preta. Afinal, eu não performo negritude, eu existo. Está na minha pele, no meu cabelo, na minha história. Ser mãe, jornalista, professora eu desempenho. Ser negra, eu vivo desde o meu dia um de vida e viverei até o último respiro. Eu sou preta. Estou todo o resto.
E para mim, assim como para tantos outros, é muito louco – pra não dizer cruel – você não se ver em lugar nenhum. Será que eu tô sonhando? Será que eu posso sonhar? Mas a vida não dá tempo pra reflexões filosóficas. Vai lá e faz. E neste fazer, você vai se agarrando aos poucos que encontra. Vou contar uma história ilustrativa. Uma vez, tive um jipe. Desses jipes antigos mesmo. E fiquei perplexa quando, cada vez que algum outro dono de jipe me encontrava era motivo de festa. Conversa, abraço, escuta. Porque só quem tem um jipe sabe o trabalho que dá.
É quase assim. Ir a uma redação e encontrar um jornalista preto é quase como encontrar o jipeiro – tá, a comparação pode parecer chula, mas você entendeu e o quase explicou. A gente às vezes finge que não vê, finge normalidade. Mas por dentro, a gente sempre pensa. Uau. Tem um preto. E quando tem uma preta mais ainda. Pois é isso que a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial quer.
Quer juntar, aquilombar, empretecer. Quer mostrar que existimos. No Paraná, em São Paulo, na Bahia, no Rio Grande do Sul, em todos os estados. Estamos aqui. E queremos que não só todos nos vejam. Mas que nos deem as mãos e andem conosco no compromisso de buscar justiça em todos os campos – sobretudo o do trabalho.
Nossa categoria – que todos entoam sempre com tanto orgulho – JORNALISTAS, é categoria comprometida com a democracia, com a luta por justiça social. Mais que comunicar, a gente quer é formar cidadãos plenos, críticos, que tenham o conhecimento como parte das suas vidas. Só assim é possível a mudança. Esta comissão será feita por pretos e pretas, claro, mas sobretudo, será construída com a CATEGORIA.
Essa é nossa luta!


