O ano é 2016. Porém, o preconceito de gênero ainda teima em existir, nos levando a perguntar se realmente estamos no século XXI ou se seguimos presos à Idade Média. O fato é que , independentemente de competência, capacidade ou inteligência, ser mulher no Brasil significa estar em desvantagem.
Apesar de serem, segundo o IBGE, maioria na sociedade, pessoas do sexo feminino ocupam menos de 10% das cadeiras do Congresso Nacional, uma proporção ainda pífia, que se repete nos legislativos estaduais. Para piorar, os partidos políticos dificultam a presença desta parcela da população nos espaços públicos, descumprindo até mesmo a reserva de 30% das vagas em candidaturas.
E, como se isso não bastasse, as mulheres precisam lidar com situações causadas por quem ainda acha que não chegamos ao estágio evolutivo do homo sapiens. São aproximadamente 500 mil estupros por ano, dos quais grande parte sequer é notificada. Somos, também, o quinto país que mais mata mulheres no mundo.
Tão importante quanto discutir a representatividade feminina, porém, é analisar a cobertura política e da crise a partir do recorte de gênero. De que forma a mídia, comercial ou independente, contribui para erradicar ou reforçar os estereótipos e as discriminações enfrentadas pelas mulheres que pleiteiam ou exercem um cargo de poder? E que impacto o impeachment da primeira presidenta eleita do Brasil traria à participação feminina na política?
Para discutir essas e outras questões, o Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) e a Frente Paranaense pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão (Frentex/PR) realizam, nesta sexta-feira (15), a partir das 19h30, o debate “O viés de gênero na cobertura da mídia sobre a crise”. Participarão da mesa uma representante de cada espaço, respectivamente, Vanessa Fogaça Prateano, integrante do Nísia, Mariana Franco Ramos, diretora do SindijorPR, e Vanda Moraes, membro da Frentex/PR, mediadas pela jornalista Diangela Menegazzi, que atua nas três organizações.
“A ideia do evento surgiu após a revista IstoÉ publicar, na semana passada, reportagem de capa retratando Dilma Rousseff (PT) como louca, histérica e irracional. Além de machista, a matéria ‘As Explosões Nervosas da Presidente’, escrita com base somente em fontes anônimas ou apócrifas, foi irresponsável e de extremo mau gosto. Quando vimos algo parecido acontecer com homens?”, questionou Mariana. Segundo ela, esse talvez tenha sido o ‘ápice’, mas não foi, nem de longe, o primeiro, nem será, provavelmente, o último caso de misoginia por parte da imprensa. “É algo que temos observado tanto em veículos de grande circulação, quanto em blogs e sites ditos ‘progressistas’, e que precisamos interromper, de uma vez por todas”, completou.
Quem tiver interesse em comparecer ao debate deve confirmar presença no link http://bit.ly/1VkBDv7 até o final do dia de hoje (14).
Fonte:SindijorPR
Autor:Flávio Augusto Laginski e Mariana Franco Ramos


