Nós, jornalistas profissionais do Paraná, reunidos em Plenária Estadual no dia 2 de abril, na cidade de Guarapuava, manifestamos preocupação com o atual momento político, tanto pelos riscos representados à democracia quanto pelo aprofundamento da crise econômica, que traz impactos sobre todos os trabalhadores.
Ainda que, individualmente, muitos de nós sejam críticos ao governo federal, decidimos por nos posicionar a favor da democracia e da manutenção das instituições, entendendo que o rompimento de uma gestão legalmente constituída apenas agravaria o cenário de instabilidade política e social. Resgatamos, com isso, o papel histórico dos jornalistas na defesa do Estado Democrático de Direito, atentos ao risco de qualquer retrocesso.
Também observamos que a política editorial de alguns veículos tem expressado não somente uma visão parcial, mas uma postura atuante na defesa do impeachment, o que aumenta o contexto de ódio e crise social. É perigosa, ainda, a janela aberta para abordagens contrárias ao debate de gênero, como foi o caso da visão expressada na revista “Isto É”, que associa a crise a uma suposta personalidade “histérica” de uma presidente, pelo fato de ela ser mulher (As explosões nervosas da presidente – 06/04/16). A já escassa representatividade feminina na política corre ainda mais risco com manifestações machistas como essa.
A atuação dos “donos” da mídia, respaldada por anúncios milionários de associações e federações patronais em grandes periódicos e programas televisivos, expõe repórteres e repórteres-cinematográficos e fotográficos nas ruas à insatisfação de manifestantes. Jornalistas são levados a passar por constrangimentos devido a uma postura que, não raras vezes, é a dos proprietários dos veículos, e não dos profissionais.
Ao mesmo tempo, os debates feitos na Plenária sobre o cenário atual da profissão apontam para a urgência em se resgatar o papel social da imprensa, que neste momento deveria destrinchar o conteúdo dos programas e dos projetos em jogo, esclarecendo a população.
Reafirmamos que, na condição de trabalhadores – na maioria das vezes em situações de trabalho precárias, jornalistas têm a obrigação de lutar pela manutenção dos direitos trabalhistas, indo contra qualquer medida que rebaixe o seu patamar.
Assim faremos!
Plenária Estadual de Jornalistas | Guarapuava-PR | Abril 2016
Autor:Plenária Estadual de Jornalistas


