Jornalistas credores da RCK serão convocados para audiência

Foi realizada ontem (28) uma coletiva de imprensa em Cascavel com gestores judiciais que administram o grupo Diplomata, que teve falência decretada em dezembro do ano passado. A reunião teve o objetivo de expor a atual situação de falência das empresas que pertenciam ao empresário e atual deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB), entre elas os jornais Hoje e O Paraná, de Cascavel, e Tribuna de Umuarama.


A coletiva foi acompanhada pelo Sindijor-PR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná), uma vez que uma das áreas que seguem em funcionamento são as atividades ligadas à comunicação. O diretor do interior do sindicato, Júlio Carignano, fez questionamentos aos gestores sobre o atraso no pagamento de férias, 13º salário, vale alimentação, não recolhimento de FGTS e INSS – irregularidades correntes quando os jornais eram administrados pela RCK (Rede de Comunicações Kaefer) – e sobre as rescisões dos jornalistas que permanecem ou que foram demitidos das empresas após a falência.


O dirigente sindical aproveitou para tirar dúvidas dos trabalhadores em relação às verbas que serão pagas pelos administradores judiciais e as que ficarão a cargo da massa falida. Segundo o gestor Cesar Scherer, os administradores judiciais pagarão as verbas referentes a data posterior a decretação da falência até o mês de junho. Já as verbas anteriores a 1º de dezembro ficará a cargo da massa falida. “Não podemos fazer pagamento de dívidas ou direitos anteriores a esta data. Estes valores irão para o montante das dívidas. Vale lembrar que direitos trabalhistas têm privilégio no pagamento”, explicou.


A previsão dos administradores é que todas as rescisões sejam feitas no prazo dos próximos 60 dias. “Estamos trabalhando para colocar a situação dos jornais em dia. Sabemos da falta de quitação de FGTS, 13º salário e férias. Aos poucos estamos nos recuperando, mas os jornais ainda são deficitários. Esperamos pagar todos os colaboradores nos próximos meses”, informou Scherer.


Em algumas empresas os trabalhadores ainda estão recebendo o salário de maneira fracionada, situação que, segundo os administradores judiciais é temporária e que não estaria mais ocorrendo nos jornais.


Em relação a demissões, os gestores explicaram que apesar da tentativa de manter os postos de trabalho, algumas demissões foram inevitáveis. Cerca de 100 postos foram fechados no grupo, a maioria nas empresas ligadas ao agronegócio. Deste total, 10 demissões foram nos jornais. Essas demissões envolveram seis jornalistas (três repórteres, um repórter fotográfico e duas diagramadoras). Segundo o jornalista Jadir Zimmerman, atual diretor dos jornais, esses trabalhadores terão prioridade no momento das rescisões contratuais.


Uma audiência pública será realizada entre maio e junho com os credores do grupo com o objetivo de apresentaram documentação provando terem fornecido produtos ou prestado serviços ao grupo falido sem terem recebido. Entre eles estarão jornalistas que foram demitidos e que ainda continuam atuando nos três periódicos. De 29 de maio a 15 de junho estão agendados dois leilões de imóveis do Grupo Diplomata e a previsão inicial é que seja arrecadado cerca de R$ 30 milhões. A estimativa é que a dívida do grupo falido chegue a R$ 1 bilhão.

Fonte:SindijorPR

Autor:Subseção Cascavel

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