Técnicos das universidades estaduais deflagram greve por tempo indeterminado

A greve dos servidores técnicos das IEES (Instituições Estaduais de Ensino Superior) do Paraná tomou um novo rumo na última terça-feira (11/09) quando os funcionários da UEL (Universidade Estadual de Londrina), UEM (Universidade Estadual de Maringá) e UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) se juntaram aos servidores da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), que estão de braços cruzados desde o dia 04 de setembro.
Os servidores técnicos das quatro maiores universidades paranaenses reivindicam a reformulação do PCCS (Plano de Cargos Carreiras e Salários) da categoria, o pagamento de reajustes que variam entre 6% a 35% na tabela salarial, por uma universidade pública gratuita de qualidade, contra as terceirizações e pela realização de novos concursos para o quatro técnico das universidades. 
Nesta quarta-feira (12/09), a categoria sofreu um novo golpe com o rompimento do diálogo por parte do Governo do Estado. Em reunião na SETI (Secretaria de Estado Tecnologia e Ensino Superior), o secretário Alípio Leal Neto, anunciou aos representantes sindicais presentes que o “governo não negocia com grevistas”.
O anúncio pegou de surpresa os representantes do Comando Estadual de Greve, que foram chamados às pressas para a reunião na capital do Estado. “Esperamos uma reunião de negociação, na tentativa de pôr fim a esse impasse, pois os servidores nunca romperam diálogo e acordos. Queremos que essa greve ao qual o governo nos empurrou dure o menor tempo possível”, diz a professora Francis Guimarães, presidente do Sinteoeste (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos do Ensino Superior do Oeste do Paraná) e integrante do Comando Estadual de Greve.
Para a sindicalista, o resultado da última reunião foi desastroso para categoria e mostrou o descaso do atual governo para com as universidades públicas paranaenses. “O governo diz que não negocia com os grevistas, mas a paralisação unificada de todas as universidades aconteceu somente esta semana. Estamos a um ano e oito meses tentando negociar com o governo, portanto ameaças neste sentido não irão nos intimidar”, adianta Francis.
Com a greve dos técnicos, as salas de aulas das universidades permanecem fechadas. Serviços considerados essenciais nas universidades foram mantidos, como o funcionamento das clínicas e os processos licitatórios. Na Unioeste, os laboratórios também funcionam, mas de forma precária, com os serviços antes feitos pelos técnicos – como pesquisas, experimentos e preparação de insumos – sendo feitos pelos professores ou alunos.
A representante do Comando de Greve destaca o trabalho exercido pelos agentes universitários. “O trabalho dos servidores técnicos é fundamental para o dia a dia da universidade, os professores não conseguem desempenhar suas atividades sem o serviço dos técnicos, assim como os alunos também não, por isso estamos pedindo solidariedade aos professores e estudantes neste momento de unidade pela valorização do ensino público”, diz.
A principal reivindicação dos servidores técnicos é a garantia de direitos previstos na Lei 15.050, do PCCS da categoria, em especial, nas regras de promoção e progressão da carreira. A última proposta do Governo apresenta prejuízos à categoria, no que diz respeito ao incentivo a titulação e o desenvolvimento da carreira do agente universitário.

Texto e foto por Júlio C. Carignano (Sinteoeste)

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