"Os trabalhadores do ramo da comunicação precisam voltar a conversar ou estão condenados", diz José Antônio Garcia Lima
Lima assume a questão da comunicação da CUT e defende que a convergência tecnológica impõe a retomada de discussão da organização conjunta de jornalistas, telefônicos, radialistas, gráficos, trabalhadores dos correios e do processamento de dados. A discussão da organização por ramo de atividade na área de comunicação deve ser retomada urgentemente, segundo o novo coordenador, escolhido durante o 11° Concut – Congresso Nacional da CUT, pela plenária de aproximadamente 80 delegados que participaram de duas reuniões nos dias do Congresso. Também foi formado um coletivo com representantes de todas as categorias para definir as ações necessárias para a retomada do tema.
Durante os debates, os representantes da Fenaj- Federação Nacional dos Jornalistas, da Fittel – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações, da Fenattel –Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações, Fitert –Federação dos Radialistas, Fenadados – Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Processamento de Dados, Serviços em Informática e Similares e Fentect –Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares criticaram a falta de ações para organizar e criar a confederação do ramo da comunicação.
Das seis entidades, cinco são filiadas à CUT. Os gráficos não têm entidade nacional de representação. "Teremos que construir uma organização mais eficiente para defender os trabalhadores", afirmou Luis Antonio de Sousa Silva, da Fittel. Já o representante da Fentect, José Rivaldo da Silva, defendeu um novo modelo para contemplar as federações, pois os trabalhadores dos Correios fizeram greve de 28 dias, sem apoio das outras categorias do ramo: "Precisamos criar um modelo de solidariedade entre nós.
Guto Camargo, pela Fenaj, lembrou que os problemas de organização são bem conhecidos e devem ser enfrentados: "Não podemos deixar passar este momento de construir o ramo da comunicação da CUT. E temos que fazer exercícios de solidariedade no dia a dia”.
Histórico
Fittel e Fenadados fizeram o primeiro movimento, com vistas à unificação das bases. Entre 1997 e 1998, as duas federações debateram a unificação das bases e a fusão das entidades. Chegaram a dividir a mesma sede em Brasília, mas na hora de unificar, muitos sindicatos foram resistentes. "Não foi um casamento; Fittel e Fenadados foram morar junto, mas não chegaram a casar", conta Djalma Araujo Ferreira, do SindiPD – DF (Sindicato dos Trabalhadores de Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados, Serviços de Informática, Similares e Profissionais de Processamento de Dados do Distrito Federal). Desde então, o debate ficou congelado.
Caberá ao novo coordenador do ramo da comunicação da CUT, José Antônio Garcia Lima, que concedeu entrevista exclusiva ao Extra Pauta, o grande desafio de retomar este debate.
Leia abaixo a entrevista:
Extra Pauta: Como está a discussão hoje do ramo da comunicação?
José Antônio Garcia Lima: Fizemos, até 1997, 1998, e nos oito anos anteriores, uma grande discussão sobre a organização do ramo. A convergência tecnológica já apontava para a fusão dos profissionais de informática e os de comunicação. Naquele momento, significava juntar o processamento de dados e a telefonia. A discussão começou por estes dois segmentos, mas trouxemos todas as outras categorias. Mas, na última hora, esta política não vingou. Nós entramos em ressaca e a discussão morreu. Nos passamos estes 12 anos sem discutir nada, virou uma discussão amortecida. Neste meio tempo, a tecnologia mudou, a concentração do capital mudou, no Brasil e no mundo. E nós não temos uma organização sindical para responder a isso. Não podemos mais adiar esta discussão, sob pena de ficarmos na rabeira. Em 1997, éramos vanguarda. Hoje, somos retaguarda. Estamos obrigados a discutir isso ou condenados a sofrer as consequências. A CUT tem que dar respostas a isso. Mas mesmo na tese da CUT, hoje não há nada neste sentido, apenas uma indicação de acumular para o próximo congresso.
EP: E como retomar este debate?
Lima: Hoje, fui escolhido para representar o ramo na direção nacional da CUT. E elegemos um coletivo. Logo que acabe este congresso, vamos discutir como vamos nos organizar para retomar esta discussão, se vai ser com congresso, reunião, seminário, etc. E chamar a base para conversar. Mas não tem resposta pronta para isso. Mas ou a gente responde a isso ou a gente vai sofrer as consequências.
EP: Quais serão as dificuldades neste trabalho?
Lima: Primeiro, vencer a inércia. Não é mole sair desta falta de discussão por 12 anos. Depois, vencer a desconfiança. Vão sempre achar que é mais uma vez a mesma conversa, sem resultados. Por fim, envolver os trabalhadores neste debate. Temos direções sindicais ainda descolados demais do debate da tecnologia, e trabalhadores que desconfiam da capacidade destes dirigentes de dar contados novos desafios. E estão se ferrando nos seus empregos. Por isso, vamos ter que preparar os dirigentes para este debate. Então, fazer este debate chegar à base.
EP: Como superar preconceitos entre as categorias?
Lima: Não temos outro caminho. Então, gostem ou não gostem, as direções sindicais terão que sentar juntas e conversar. Senão, nós é que vamos pagar o preço.
*Por Mário Messagi Junior / *foto: divulgação


