Oficina de Comunicação Antirracista reúne jornalistas e comunicadores na sede do SindijorPR

Participantes da primeira oficina em Curitiba | Foto: Ruy Tomich

Cerca de 20 jornalistas e profissionais da comunicação de diferentes áreas participaram da oficina “Comunicação em tempos de ódio: imprensa, redes sociais e armadilhas do neoliberalismo”, realizada no dia 25 de julho, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR). A atividade integrou a programação do Julho das Pretas, promovido pela Rede de Mulheres Negras do Paraná (RMN-PR), e foi organizada pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira).

Conduzida pela jornalista Ana Luísa Pereira, a oficina propôs uma reflexão sobre o papel do jornalismo na construção das narrativas que circulam na sociedade e sobre a responsabilidade dos profissionais da comunicação diante do avanço dos discursos de ódio, da desinformação e das transformações provocadas pelas plataformas digitais.

Ao longo do encontro, os participantes discutiram temas como racismo estrutural, racismo algorítmico, funcionamento das big techs, economia da atenção e os impactos desses fenômenos sobre a prática jornalística e a democracia. A proposta foi estimular uma análise crítica das rotinas de produção da notícia e do papel da comunicação na promoção dos direitos humanos e da igualdade racial.

“Na rotina das redações e das assessorias, muitas vezes temos pouco tempo para refletir sobre esses processos. Criar espaços como este é fundamental para pensar criticamente a comunicação que produzimos e fortalecer uma prática jornalística mais ética, plural e comprometida com a igualdade racial”, destacou Ana Luísa, integrante da Cojira.

A oficina reuniu jornalistas de redação, assessores de comunicação, comunicadores sindicais, designers, profissionais freelancers e estudantes, proporcionando um espaço de diálogo entre diferentes experiências e perspectivas da área.

Para a ministrante, discutir comunicação antirracista hoje exige compreender também o papel das plataformas digitais na circulação das informações.

“Falar de comunicação é, necessariamente, falar das big techs e das redes sociais. Estamos todos atravessados por esse ecossistema digital. Precisamos compreender como os algoritmos influenciam a visibilidade dos conteúdos, como o discurso de ódio gera engajamento e lucro para as plataformas e quais são os desafios para construir narrativas mais democráticas e comprometidas com os direitos humanos”, afirmou.

A oficina marcou o início das atividades formativas da Cojira, comissão criada no âmbito do Sindijor-PR para promover o debate sobre igualdade racial no jornalismo e incentivar práticas comunicacionais comprometidas com a diversidade, a democracia e os direitos humanos. “A instauração da Cojira é um passo importante para discutir a democracia racial dentro dos ambientes de trabalho de jornalistas, então tratar deste assunto dentro do Sindicato é um avanço importante para a categoria”, destacou Aline Reis, presidenta.

 

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