A Central Nacional de Televisão (CNT) demitiu ontem (8) as jornalistas Andressa Tavares e Cláudia Ribeiro. Assim a TV fica sem equipe de jornalismo na capital paranaense e terceiriza suas produções. "É lamentável que os donos ou novos donos da emissora tenham tomado uma atitude como esta. Trata-se de uma falta de consideração e de respeito com os profissionais. Além disso, é inadmissível que uma empresa de comunicação do Paraná abandone a produção do jornalismo local", diz Guilherme Carvalho, presidente do Sindijor.
Segundo o que foi relatado ao Sindijor, o que causa espanto é que logo após o dia do jornalista (7), a CNT promova tamanho desrespeito, passando falsa segurança aos seus trabalhadores. Relatos contam que quando as profissionais saíram de férias, foram informados pelo RH que não haveria demissões. Outro agravante é que a empresa antecipou férias de profissionais e obrigou a venda de 10 dos 30 dias que essas tinham por direito.
Procurada pelo Sindijor, a CNT negou que tenha obrigado qualquer profissional a tirar ou vender férias. O diretor de jornalismo da empresa, Domingos Trevizan, explicou que há um novo planejamento para atender novas necessidades: “por uma série de necessidades suspendemos momentaneamente a equipe de jornalismo de Curitiba, mas pretendemos retomar em julho”.
Segundo o Comunique-se (leia matéria aqui) equipes de reportagens de outras praças também foram afetadas. Em São Paulo, eram quatro grupos na rua e agora restou um. O Rio de Janeiro também perdeu um time e segue com apenas um grupo no quadro de funcionários. A coordenadora de jornalismo de Brasília, Deli Dias, também foi demitida no mês passado.
O professor universitário Valdir José Cruz, que trabalhou por oito anos no veículo da capital paranaense, revelou que foram oito demitidos no total. “Eles foram obrigados a tirar férias e vender outros dez dias à emissora. A situação é um desrespeito trabalhista e ético”, disse o professor ao Comunique-se. Ainda segundo o jornalista, que já dirigiu a Rede Massa (afiliada do SBT) e Band Curitiba, não restou nenhum repórter para produzir conteúdo para o noticiário nacional.
Recentemente foi divulgado que o religioso Valdemiro Santiago teria comprado a CNT, mas a emissora nega e reafirma que a família Martinez mantém o controle das ações. “O que houve foi que o religioso estendeu seu horário na CNT”, disse Trevizan, afirmando ainda que a Igreja Mundial do Poder de Deus não é proprietária da empresa de comunicação.
Por Regis Luís Cardoso com informações do Comunique-se.


