Segundo delegado-chefe do Tigre, elite da Polícia Civil, “tudo é possível, não posso descartar que o desaparecimento dele tenha ligação com a profissão de jornalista”
O caso Anderson Leandro da Silva (38), jornalista desaparecido há quase uma semana, continua um mistério também para a polícia. Na tarde de hoje (16), o delegado-chefe do Tigre, Silvanei de Almeida Gomes (foto), em coletiva, disse que assume, ao lado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a missão de encontrar o profissional. Em conversa com a imprensa, no 1º Distrito da Polícia Civil, o delegado foi enfático: “não temos informações palpáveis, mas a Polícia Civil vai fazer o máximo para desvendar o caso”, diz autoridade policial.
Após grande mobilização da imprensa e dos movimentos sociais, inclusive com nota oficial do Sindijor-PR direcionada ao Secretário de Segurança Pública do Estado e ao governador do estado, o caso que era apurado pela Delegacia de Vigilância e Capturas (DVC), unidade especializada em desaparecimentos, passa agora oficialmente à elite da Polícia Civil. Porém, as dificuldades continuam: “não há indícios de qualquer motivação. Estamos checando todo tipo de informação, mas não temos base para fazer afirmações”, reitera Gomes.
Anderson Leandro trabalha há quase duas décadas diretamente com movimentos populares, possui o maior acervo de imagens políticas e de cenas de conflitos relacionados às pressões dos movimentos sociais do Paraná. Segundo a família do jornalista, o desaparecimento tem motivação política.
O caso repercutiu nacionalmente e entidades como FENAJ, CUT e OAB já declararam necessidade de mais rigor nas investigações. Hoje, às 18 horas, na sede do Sindijor-PR (Rua José Loureiro, 211), haverá reunião junto a entidades sindicais, movimentos sociais e imprensa, com o objetivo de organizar manifestações de apoio ao jornalista e sua família.
Texto e foto por Regis Luís Cardoso


