Uma nova profissão acaba de surgir no nosso já escasso mercado de trabalho.
Maravilha: é sempre bom criar novas funções.
O “analista”, como o nome supõe, seria aquele que analisa o jornalismo. Com qualificação, claro. Um profissional capaz de estudar, processar e interpretar dados para embasar decisões estratégicas sobre o fazer jornalístico.
Coerente. Urgente, até.
Um analista de jornalismo que se debruçaria — com jornada e remuneração decentes — sobre as teorias contemporâneas:
– A Teoria do Agendamento, que explica como a mídia define relevâncias.
– A Teoria do Enquadramento, que mostra como a forma molda a percepção.
– A Espiral do Silêncio, que escancara a autocensura diante da opinião pública.
Mas aí entra em cena a realidade. “Não, não, pera lá”, me alerta uma colega do SindijorPR.
O tal “analista de jornalismo” é, na prática, para auxiliar na produção: fazer rotinas de pauta, varrer sites atrás de factual, apurar, redigir notas, buscar vídeos, criar e editar conteúdo para redes. De preferência, sabendo mexer no Premiere para ajudar a editar matérias.
Ué? Então é um analista que… não analisa?
É um “analista” que trabalha como jornalista — só que sem assinar como jornalista.
Então, naturalmente, será contratado como jornalista, conforme a legislação vigente.
Não?
Com a palavra, o Ministério do Trabalho.


