Analista de jornalismo

Uma nova profissão acaba de surgir no nosso já escasso mercado de trabalho.

Maravilha: é sempre bom criar novas funções.

 

O “analista”, como o nome supõe, seria aquele que analisa o jornalismo. Com qualificação, claro. Um profissional capaz de estudar, processar e interpretar dados para embasar decisões estratégicas sobre o fazer jornalístico.

 

Coerente. Urgente, até.

Um analista de jornalismo que se debruçaria — com jornada e remuneração decentes — sobre as teorias contemporâneas:

– A Teoria do Agendamento, que explica como a mídia define relevâncias.

– A Teoria do Enquadramento, que mostra como a forma molda a percepção.

– A Espiral do Silêncio, que escancara a autocensura diante da opinião pública.

 

Mas aí entra em cena a realidade. “Não, não, pera lá”, me alerta uma colega do SindijorPR.

 

O tal “analista de jornalismo” é, na prática, para auxiliar na produção: fazer rotinas de pauta, varrer sites atrás de factual, apurar, redigir notas, buscar vídeos, criar e editar conteúdo para redes. De preferência, sabendo mexer no Premiere para ajudar a editar matérias.

 

Ué? Então é um analista que… não analisa?

É um “analista” que trabalha como jornalista — só que sem assinar como jornalista.

 

Então, naturalmente, será contratado como jornalista, conforme a legislação vigente.

Não?

 

Com a palavra, o Ministério do Trabalho.

Autor: Rubens Burigo

Jornalista com 33 anos de experiência, principalmente em TV. Editor-chefe e gestor de equipes de edição, produção, e reportagem na RPC, Rede Massa e RICtv. Hoje é produtor na TV Assembleia e freelancer. Formado em Jornalismo e Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Paraná.

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