Ato na UEPG marca Dia D pelo Diploma de jornalista em Ponta Grossa

Estudantes e professores de Jornalismo e jornalistas se manifestam em defesa da formação superior para o exercício da profissão. (Foto: Marilson de Paula)

Ação integrou os esforços liderados pela FENAJ nesta quarta-feira (26/08) em defesa da formação superior para o exercício da profissão no Brasil

Estudantes, professores de Jornalismo e jornalistas se reuniram na manhã desta quarta-feira (26/08) em um ato para marcar o ‘Dia D pelo Diploma’ na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Organizada pelo Departamento de Jornalismo e pelo programa de Pós-Graduação em Jornalismo da instituição, a atividade contou com a participação da representante do Paraná na Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e diretora-executiva do SindijorPR, Marcia Raquel de Oliveira, e do presidente da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ), Allan Rodrigues.

Os atos pelo diploma de jornalista aconteceram em todo o Brasil nesta quarta-feira (26/08), como resultado de uma ação organizada pela FENAJ, 17 anos após a queda da obrigatoriedade da formação superior para o exercício da atividade, em consequência de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma ação movida por empresários de comunicação do estado de São Paulo. O movimento também acontece em meio ao pedido formalizado pela Federação para que o STF reveja a decisão, depois que ministros do Supremo se manifestaram publicamente de forma favorável ao pleito histórico da categoria.

Marcia Raquel destaca que a luta pelo reconhecimento do diploma como critério de acesso à profissão de jornalista no Brasil é histórica. “A reivindicação por regulamentação e formação profissional é anterior à existência da FENAJ e antecede a ditadura militar, tem origem nos primeiros congressos da ABI [Associação Brasileira de Imprensa], ainda em 1918. A trajetória envolve organização da categoria, regulamentação, formação e ética profissional. Então, 1969 é um marco de consolidação legal da exigência do diploma, não o início da reivindicação. E desde 2009, a Fenaj mantém a luta, seja através da campanha pela aprovação da PEC do Diploma, que está pronta para ser votada na Câmara Federal, ou do pedido de revisão da decisão do STF, cujo diálogo com os ministros teve início pela Federação ainda em 2025.”, esclarece.

Para o presidente da ABEJ, Rodrigues a luta das e dos jornalistas é mais ampla do que a defesa “de um pedaço de papel”. Ele enfatiza a necessidade de contrapor argumentos equivocados, como o de que exigir a formação em jornalismo impediria que outras pessoas pudessem contar as próprias histórias, o que não é verdade. “A palavra pertence a todos, é isso o que garante a nossa Constituição. Mas o papel do jornalista é outro: é fazer com que essas diferentes vozes possam entrar no espaço público, sendo ouvidas, confrontadas, contextualizadas e compreendidas. Regulamentar a profissão não pode significar regulamentar o direito à palavra”, avalia.

Marcelo Bronosky, professor do Departamento de Jornalismo da UEPG, recorda que a desregulamentação da profissão de jornalista que se seguiu à decisão do STF tem se mostrado ainda mais danosa atualmente. “Tivemos uma série de transformações no âmbito da produção jornalística, especialmente com relação à desinformação, que vêm causando prejuízos à sociedade e que inclusive desafiam as instituições públicas, afetando a própria democracia. Precisamos refletir sobre a qualidade da informação a partir da qual a sociedade toma suas decisões”, expressa.

Estudante do terceiro ano do curso de Jornalismo na UEPG, Nathália Stüpp destaca a importância de atividades como o Dia D pelo Diploma. “Discutir e defender a importância do diploma é também reconhecer o valor da nossa formação e de todo o conhecimento que construímos ao longo da graduação. Mesmo que o diploma não seja atualmente obrigatório para o exercício da profissão, ainda temos pessoas que lutam por esse direito e pela valorização do jornalista profissional. A qualidade do nosso ensino e a preparação que recebemos demonstram a nossa capacidade e reforçam a importância de uma formação adequada para o exercício responsável do jornalismo”, destaca.

Logo após a mesa de discussão, todas as pessoas presentes integraram um ato simbólico em defesa do diploma de jornalista no pátio externo da universidade com uma foto coletiva e entoação do mote da campanha nacional: “Opinião é expressão. Jornalismo é profissão”.

 

Confira como foi a atividade na galeria com fotos de Rafaela Rothstein/Lente Quente:

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