A negociação para a renovação da convenção coletiva de trabalho dos jornalistas continua intensa no Paraná. Desde a abertura da campanha salarial para o ciclo 2025/2026, com a realização de assembleias nas bases do SindijorPR e Sindijor Norte PR, em março, há uma expectativa da categoria em relação aos aspectos prioritários concretizados na pauta de reivindicações: reposição da inflação incidente na data-base de 5,32% – que, somada às perdas acumuladas desde a pandemia, aponta para uma defasagem salarial de 15,73% -, concessão de aumento real e regulamentação da função de videorrepórter na CCT; atual ‘leve 3, pague 1’ no mercado jornalístico paranaense.

A data-base venceu em 1º de maio e com muita resistência do SindijorPR e Sindijor Norte PR nas mesas de negociação realizadas até agora, alguns ataques patronais ficaram pelo caminho. A resistência sindical conseguiu barrar propostas absurdas como o parcelamento da reposição inflacionária, o congelamento do piso no estado e a tentativa de acabar com o anuênio. Neste processo, lamentavelmente, as justas reivindicações dos jornalistas também têm sido ‘desidratadas’ – como se patrões e empregados estivessem no mesmo patamar da economia. Enquanto eles brigam para preservar e ampliar lucros, nós lutamos por sobrevivência.
Apenas o reajuste pela inflação não é suficiente
Depois da última mesa de negociação, realizada há poucos dias, o Sindejor-PR e o SERT-PR formalizaram nova proposta para a renovação da CCT no Paraná. Os patrões ofereceram única e simplesmente o reajuste salarial pelo índice inflacionário, sem reconhecer a data-base da categoria, ou seja, sem o pagamento de retroativo.
Os patrões também não querem saber de pagar nada a mais para jornalistas que se desdobram no 3 por 1 diário como videorrepórteres. “Após análise da proposta encaminhada pelos Sindicatos dos Jornalistas, informamos que não será possível, por parte dos patronais, incluir na negociação/CCT 2025/2026 cláusulas ou temas relacionados ao que os Sindicatos denominaram como ‘videorrepórter’”, registra o documento.
A proposta patronal, como é de praxe no estado, encerra com tom de ameaça: “A presente proposta será considerada válida apenas se aprovada em sua integralidade. Não havendo aprovação na integralidade, retomaremos as tratativas com base nas propostas iniciais”.
Diante da ‘oferta’ realizada pelos empresários, o SindijorPR e o Sindijor Norte PR irão ampliar o diálogo com a base, com uma série de ações a serem encaminhadas nos próximos dias.
É pouco
A intransigência empresarial já conhecida no Paraná não agrada a categoria que, diga-se de passagem, é a principal responsável por manter a sociedade paranaense informada. Para quem trabalha cotidianamente com informações concretas, como dados econômicos, por exemplo, a imposição de defasagem salarial ‘não desce’: 5,32% é pouco.
A própria imprensa estadual não tem economizado ‘tinta’ para expor os bons números da economia paranaense.
Uma simples operação matemática nos deixa claro que a proposta de reajuste pela ‘inflação seca’, ignorando a data-base, pode ser considerada um desrespeito.
Diariamente os Sindicatos vêm sendo acionados por profissionais que desempenham a função de videorrepórter e que estão preocupados com os riscos assumidos. Falta de proteção social; uso de equipamento pessoal; aumento da vulnerabilidade e do perigo; a necessidade de operar equipamentos de forma simultânea à captação de entrevistas e da própria imagem no vídeo; e esgotamento físico e mental são as principais reclamações mencionadas. Inclusive, as queixas podem continuar sendo encaminhadas aos Sindicatos também pelo sindijor@sindijorpr.org.br e contato@jornalistasnortepr.org.br.
Um lado ganha, o outro só perde
Enquanto os ganhos só aumentam do lado patronal, o mesmo está longe de acontecer para os jornalistas profissionais. A categoria tem sido enfática ao enviar dados públicos aos Sindicatos que representam os patrões para confirmar o tamanho da desigualdade entre as partes. Todas essas informações e desabafos não estão sendo ignorados pelos Sindicatos. Seguimos em campanha.
A nossa luta é por direitos e valorização.
Autor:SindijorPR e Sindijor Norte PR


