O SindijorPR é uma das entidades que integra a Frente que busca impedir que a emissora pública seja extinta
A Frente em Defesa da TV Educativa de Ponta Grossa (TVEPG) realizou na noite desta quinta-feira (17), uma audiência pública em que foram apresentados dados que mostram a importância da emissora para a cidade e que contestam com provas, os discursos da Prefeitura, de que a rede de TV não tem importância e dá prejuízos. Participaram representantes de entidades civis, apoiadores e apoiadoras da população ponta-grossense, vereadores e vereadoras, dirigentes sindicais, além de professores e estudantes da área de comunicação, que se revezaram em discursos em defesa da TV pública. O SindijorPR, que integra a Frente, também esteve presente.
O jornalista Beto Almeida, conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e com larga experiência em TV’s públicas, realizou uma manifestação na abertura da audiência. Almeida enfatizou o trabalho da TVEPG com o programa ‘Vem Aprender’, destacando que dificilmente uma emissora comercial se disponibilizaria a isso. “As emissoras públicas têm outra natureza e um compromisso fiel com a Constituição Federal quanto ao espírito da comunicação social, no sentido de que os meios de comunicação devem ser ferramentas para construir cidadãos”, disse.
Almeida ressaltou ainda que a comunicação pública é uma necessidade no Brasil. “Não tem sentido nadar contra a corrente da cultura, da memória, da cidadania. Vida longa à TV Educativa de Ponta Grossa”, declarou, reforçando o apelo contra o sufocamento e consequente extinção da TVEPG.
Ao longo da audiência, além da participação dos cidadãos presentes, foram apresentados discursos de representantes da sociedade organizada que também demonstraram preocupação com as ameaças da prefeitura e disseram ser favoráveis à luta pela manutenção da TV. “Foi um momento muito importante, com a união de todos os setores sociais, inclusive com partidos de bandeiras diferentes, todos unidos em prol da nossa emissora municipal”, afirmou Alexandre Machado, servidor público que faz parte da Comissão de Representantes da TVE PG.
Já Marcelo Bronosky, que também compõe a Comissão e é vice-presidente do Conselho de Curadores da TVE, defendeu que a transferência de pessoal e recursos da TV para secretarias e autarquias, como pretende a prefeitura, além de decretar o fim das transmissões, é uma falsa economia que não se justifica pelo raciocínio lógico. “Se queremos falar de economia, há outras formas de fazê-la. Pensar que com o fim da TV isso acontecerá, é um discurso que não se sustenta. A prefeitura erra ao propor tal medida”, explica.
Prefeitura ausente
Representantes da prefeitura e a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, foram convidados para que pudessem apresentar suas justificativas e dados que sustentassem seus posicionamentos pela extinção e falta de utilidade da TVE, porém, não compareceram e nem mesmo justificaram de forma oficial a ausência.
Pela Câmara Municipal de Vereadores e defendendo a TVE, participaram Geraldo Stocco (PSB), Izaias Salustiano (PSB), Guilherme Mazer (representando o Coletivo do Psol) e Joce Canto (PSC). Assista à audiência na íntegra aqui. Quem quiser apoiar a luta pela manutenção da emissora, pode fazê-lo pelo abaixo-assinado virtual.
TVE PG já gera economia milionária
Se a prefeitura de Ponta Grossa fosse pagar a emissora comercial mais assistida da cidade e da região para exibir o programa “Vem aprender”, voltado para os alunos e alunas da Rede Municipal de Ensino, teria que desembolsar valores entre R$ 251 milhões e R$ 579 milhões. Isso porque cada minuto na TV comercial, custa entre R$ 1.244,70 e R$ 2.867,40, dependendo do horário de veiculação.
Os dados são da Frente em Defesa da TV Educativa de Ponta Grossa – TVE PG. Para chegar à quantia, foram consultados os valores da emissora comercial e confrontados com os números da TVEPG. De 2020, quando o “Vem aprender” começou, até o final de 2021, quando cessou, a emissora pública produziu e exibiu nada menos do que 3.369 horas de programação própria de conteúdo educacional/educativo. Ou seja, se precisasse pagar uma emissora comercial apenas para transmitir os programas, o valor poderia passar de meio bilhão de reais.
Também foram economizados outros R$ 4 milhões que precisariam ser pagos às agências para produzir os conteúdos exibidos no mesmo programa e período.
Luta tem apoio nacional
Até o momento, aproximadamente 20 entidades municipais, estaduais e locais já aderiram à luta. São elas:
1. Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej)
2. Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
3. Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
4. Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará – Sindjorce
5. Sindicato dos Radialistas Profissionais e dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado do Paraná
6. Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná – Sindijor PR
7. O Instituto Nacional de Direitos Humanos da População de Rua – INRua
8. Grupo Dignidade e Aliança Nacional LGBTI+
9. Movimento Nacional da População em Situação de Rua – MNPR-PR
10. Sindicato dos Trabalhadores(as) nas Indústrias Metalúrgicas e elétricas de Ponta Grossa e região
11. Jornalismo UEPG – Graduação
12. Jornalismo UEPG – Mestrado
13. Jornalismo UniSecal – Corpo Docente
14. Seção Sindical dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa – Sinduepg
15. Coletivo Dino Colli – CDC OFEC
16. Associação Avante Fantasma – AAFA
17. Torcida organizada Trem Fantasma
18. Academia de Letras dos Campos Gerais – ALCG
Autor:SindijorPR


