Jornalista que cobria ocupação fica detido por 14 horas e vai responder por 4 crimes no RS

O repórter do jornal Já, Matheus Chaparini, foi preso na manhã de quarta-feira, 15, enquanto cobria a ocupação da sede da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), em Porto Alegre. Levado para a 3ª Delegacia de Pronto Atendimento, o profissional ficou detido por 14 horas e agora responde pelos crimes de associação criminosa, dano qualificado ao patrimônio público, esbulho possessório e corrupção de menores.

Em seu perfil no Facebook, Chaparini informou que o cineasta Kevin Darc também foi preso, além de outros 40 estudantes. Para ele, o caso não envolve só o direito de trabalhar. “Bem antes disso vem o direito do cidadão de ser informado. Que seja a última vez que precisemos nos mobilizar por algo assim, mas, como sabemos que dificilmente será, que sigamos tendo essa coragem e união sempre que for necessário”, escreveu o jornalista na rede social.

Ao Zero Hora, a escrivã e policial Paula Paixão afirmou que Chaparini teria dito que era cinegrafista, fotógrafo e repórter autônomo, não tendo vínculo com nenhuma empresa de comunicação. O veículo para qual o repórter trabalha informou que ele se identificou e que ainda assim foi preso. “Na delegacia, até os advogados tinham dificuldade para entrar. A reportagem do Já foi expulsa duas vezes do local antes de conseguir falar com a delegada. No início da noite, todos os detidos foram encaminhados ao Presídio Central de Porto Alegre”.

O site informa que vídeos gravados por meio do celular provam que o jornalista se identificou ao Capitão Trajano, do BOE: “Para mim tu tá junto” e “Lá embaixo tu te identifica”, teria respondido o oficial. “Quando a delegada perguntou qual era a minha profissão, [eu] disse a ela que era a que estava exercendo na ocupação, cobrindo a pauta, jornalista”, afirma Chaparini. O cineasta Darc também conta que se identificou.

Sobre a ocupação, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul afirmou que o grupo não deixou a Secretaria da Fazenda no tempo estipulado pelos policiais e que por isso decidiram entrar no local para realizar a desocupação. A delegada da 3ª DPPA, Andrea Nicoti, afirma que imagens mostram o local depredado. “Eles foram autuados por dano ao patrimônio, resistência, associação criminosa, esbulho possessório, porque se apropriaram do imóvel, e corrupção de menores”, explicou, acrescentando que os adultos também estavam dentro do prédio.

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