Jornalistas paranaenses se organizaram e, após um ano de existência, o Livre.jor traz matérias precisas, tendo como principais fontes documentos oficiais
“A ideia surgiu da vontade de fazer uma cobertura política estadual com base mais em dados públicos que declarações ou opiniões. Hoje já temos mais de 1.500 pessoas acompanhando esse trabalho”, explica inicialmente José Lázaro (31), jornalista formado na Universidade Federal do Paraná, mestre em Sociologia pela UFPR; que ao lado de João Guilherme Frey, 26 anos, graduado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, especialista em Direito à Cidade e Gestão Urbana pela Universidade Positivo; criaram o Livre.jor.
Durante a premiação do Sangue Bom 2014 (em dezembro), promovido pelo Sindijor, o Livre.jor recebeu sua primeira premiação. Foi vencedor na categoria Inovação em Comunicação e Redes Sociais. Segundo Lázaro, esse foi “nosso primeiro prêmio”. E por saber da importância das inovações na área da comunicação, das produções alternativas feitas pelos trabalhadores jornalistas, o Sindijor conversou com o jornalista José Lázaro.
Extra Pauta: Qual é o principal objetivo do trabalho de vocês?
José Lázaro e João Guilherme: Complementar o noticiário tradicional com informações que, apesar de oficiais, e, portanto, já de domínio público, acabaram fora das manchetes. É um objetivo simples, mas que a longo prazo contribui para enfraquecer essa resistência que as pessoas em geral têm de mexer nos sites dos governos, ou em documentos oficiais. “É chato”, “eu não entendo”, “é um monte de número”, “eles falam outra língua” são expressões típicas dessa resistência. Ao mostrarmos diariamente que os documentos não mordem, acreditamos que o Livre.jor ajude a aumentar a vigilância dos atos públicos. Temos também o objetivo de contribuir (com o tamanho de nossas pernas) com a consolidação da Lei de Acesso à Informação. É claro que a aplicação da lei enfrenta certa resistência ou até desconhecimento do setor público, e nós acreditamos que usá-la, testá-la e até tencionar seus limites é uma forma de deixá-la mais forte.
EP: Poderia nos dar alguns exemplos de atuação do Livre.jor?
JLe JG: Praticamos jornalismo utilizando dados oficiais de qualquer natureza, dos diários aos bancos de dados disponibilizados por todas as esferas de governo. Agora no dia 12 de fevereiro completamos um ano de existência, com mais de 400 postagens – somos somente uma página no Facebook – em que expomos documentos que passaram despercebidos da imprensa tradicional, ou análises sobre dados públicos pouco conhecidos.
EP: E o que os diferencia de outras mídias?
EP: De onde surgiu a ideia de focar o jornalismo principalmente na conferência de dados e documentos oficiais como fonte?
Só que acompanhando o noticiário percebemos que a denúncia não motivou o conjunto dos jornalistas a observarem esse tipo de dado como matéria-prima para o seu trabalho. Daí que assumimos essa “tarefa” de ler sistematicamente os diários oficiais relacionados ao Paraná e acompanhar as demais informações relacionadas ao Estado que sejam de domínio público – para suprir a lacuna e para provocar os colegas a fazerem o mesmo.
EP: O que é necessário, tecnologicamente falando, para trabalhar com jornalismo de dados?
Para processar estes dados que buscamos, usamos o Excel. Para isso, às vezes temos que recorrer a programas que transformam tabelas de documentos fechados para formatos que possamos manejar. De modo geral, usamos tecnologias mais rústicas, ainda apanhamos bastante para tratar grandes quantidades de dados.
EP: A plataforma utilizada pelo Livre.jor é exclusivamente na rede social. Por quê? Pensam em criar um site ou ter um escritório ‘oficial’?
EP: Qual sua opinião sobre os benefícios que a tecnologia trouxe para o jornalismo?
EP: Para finalizar, qual sua avaliação em relação a cobertura midiática atual? Acredita que a utilização do jornalismo de dados é satisfatória por parte da imprensa hegemônica?
Fonte:SindijorPR
Autor:Regis Luís Cardoso


