A 4ª Copa Condor Sindijor de Futsal é histórica. Não ‘apenas’ por ter o maior número de jornalistas participantes (mais de 150), mas também pela grande procura – com manifestações nas ruas e redes sociais – para conseguir colocação ou convocação em alguma das 14 equipes que participam do tradicional evento.
Só para contextualizar nossa torcida fanática, um fato louvável aconteceu faz poucos dias, quando o ex-jogador Renaldo (passagem por Atlético, Coritiba e Paraná) tentou participar do torneio. O Sindijor estava lisonjeado com o fato. Até porque, segundo fontes, o ex-atleta se preparava físico/psicologicamente para entrar em quadra.
Mas o que ele não esperava era uma bola nas costas da empresa em que trabalha! Sim… uma pena ele não ter um vínculo empregatício de acordo com os dispositivos legais do trabalho – e que o regulamento do Torneio exige! Uma pena…
Outra bola nas costas (duas!) que o jogador ‘tomou’ foi da sua própria equipe – “o que? Eles não foram ao arbitral?” – “Sim… eles não foram ao arbitral!” – “Mas isso é o amadorismo do amadorismo hein?”.
Você pode estar achando confuso tudo isso, mas na verdade essas palavras indignadas são uma intromissão do renomado comentarista convidado pelo Sindijor para a 4ª Copa de Futsal. E já adiantamos que não vamos deixá-los esperando no banco de reservas, vamos direto ao assunto.
Meus caros, diretamente do mundo jornal/futebolístico mundial… eis que surge… com exclusividade para o torneio do Sindijor, o craque Jornaldo. Sim… ele está aqui para desferir opiniões (muito técnicas por sinal) e diagnósticos sobre o grandioso torneio. Afinal… ele esteve lá!
E abrem-se as cortinas e começa o De Frente com Jornaldo!
E aí Jornaldo, tudo bem? Poderíamos começar com você nos contando o que achou da 1ª rodada do Torneio?
Bom… primeiro gostaria de dizer que é uma honra para o Sindijor ter-me como convidado para comentar isso aqui. Esse é o primeiro ponto. Ok?
Ok.
Ótimo… vamos ao segundo ponto. O Torneio. Veja bem… quando falamos em competição sindical (já participei de muitas por sinal), existe sempre algo mais importante do que o próprio Torneio. Quando se fala em competição de uma categoria – como a do jornalista; não devemos esquecer que a situação dos trabalhadores está bem complicada.
Vai com calma Jornaldo! Estamos aqui para falar do Torneio!
Ok… desculpe. Mas é verdade…
Jornaldo, por favor, estamos aqui para falar do Torneio…
Ok. Tudo bem… olha… resumidamente então. União dos jornalistas… é disso que estamos falando…
Mas quero saber dentro de quadra. O que você viu te agradou?
Me agradou… me agradou muito! Olha… vi duas partidas simultâneas e achei muito interessante a iniciativa de um torneio feminino.
Jornaldo, por favor, o Torneio tem jogos femininos, mas também masculinos. Você não viu os jogos masculinos?
Brincadeira. Vi também. Mas dei mais atenção para o feminino, que fique bem claro.
Tudo bem Jornaldo. Prossiga por favor!
É… veja bem. Eu vi alguns jogos, mas na minha memória seletiva só me vem a cabeça as jornalistas correndo e suando! Um espírito único! Lindo! Sim… poético. E eu vi algo ainda mais poético ali! Sim… eu vi quando uma atleta saiu toda ensanguentada de quadra… seu queixo machucado… sim! Tirou-me do estado de conforto… principalmente quando ela se recuperou e voltou, como fênix, e continuou na disputa. Isso sim que é futebol…
Entendo. Mas Jornaldo, foram 63 gols em oito jogos, uma média de quase oito gols por partida!
Sério? É muito gol!
Você acha que foi muito gol Jornaldo? Por quê?
Olha… normalmente no futebol a fórmula é simples. Se teve muitos gols ou é porque os goleiros são ruins ou porque os atacantes são bons.
Você só pode estar de brincadeira não é? Isso é um desrespeito aos jogadores?
Jogadores? Achava que era um torneio de jornalistas…
Mas é…
Então…
Então o que?
Ou o cara é jornalista ou o cara é boleiro…
Que é isso Jornaldo, agora você é binário? Ou isto ou aquilo?
Desculpe, mas acho que você quis dizer bilionário. Não?
Jornaldo, fala sério! Vamos falar do Torneio. Falar de futebol. Pode ser?
Claro… estou aqui pra isso.
Da primeira rodada, algum destaque? Sério, por favor!
Ok. Tudo bem. Olha… teve a partida BandNews 7 x 6 Ace/Gazeta, pela categoria masculino. Foi um bom jogo. Na verdade eu fiquei sabendo que o Renaldo iria jogar e fui assistir. Sinceramente vocês se aproveitaram da minha presença lá e conseguiram me convencer a participar desse programa, não é? Bom… de qualquer forma… parabéns! Foram perspicazes. Mas voltando ao Renaldo, vejo que se ele tivesse participado estaria fora, ficaria no banco. Eu joguei com Zidane, Ronaldo e Maradona, sei do que estou falando quando o assunto é craque. Também joguei com Herzog, Wainer e Tim Lopes, sei quando o assunto é informação. Então o jogo foi de um nível acima da média pro Renaldo, a partida não era pra jogador comum.
Mas o Renaldo é um jogador comum?
Foi um jogador comum. Hoje ele é um ex-jogador e que quer jogar entre os jornalistas. Ele precisa treinar mais. Estar sincronizado e legalizado na sua empresa. Além disso, lutar para que os seus companheiros também sejam regularizados. Nós estamos falando de sindicato também. De coletividade. Oras… eu já cobri guerras, copas do mundo, já vi o Muro de Berlin caindo pelo chão. Sei que o Sindijor tem 60 anos de entidade e o nobre Renaldo está chegando agora. Veja… como você mesmo disse… sua equipe não o representou no arbitral e sua empresa também não o contrata de acordo com a lei. Estamos falando de algo sério! O Sindicato não trabalha com a irregularidade, abrindo exceção para jogador esquecido pelo seu próprio time. Sua equipe deveria ter pensado nisso. A sorte é que o Renaldo ganhou um bom dinheirinho jogando bola… mesmo agora estando esquecido.
Esquecido? Como assim? A discussão ainda está na rede. Ele trabalha na imprensa. Postaram um vídeo recente dele falando do torneio. Ele é muito querido no mundo da bola!
Desculpe, foi só uma provocação… faz parte do futebol e também do jornalismo, não? Mas veja bem… eles estão expondo o ex-jogador, pois estão com peso no consciência. Afinal, não foram nem ao arbitral defender a participação do seu jogador. Assim não pode. Assim não dá. É como se uma empresa usasse o trabalho do jornalista, mas na hora de registrar… puff… cadê o patrão?
Jornaldo, acho que você está misturando as coisas. Mas tudo bem. Para sua primeira participação, até que deu pro gasto. Mas e aí, o que espera da 2ª rodada?
Olha… muita diversão e muitos gols. Espero que as equipes continuem muito bem distribuídas em seus locais de trabalho. Que continuem desenvolvendo seu papel, na função determinada. E não esqueçam… quando houver irregularidades, que reclamem com o juiz. Que procurem o árbitro responsável pela sua categoria e faça a denúncia do que está errado. E que tenham coragem! Quando tiveram condições, que façam belas jogadas, verdadeiros empreendimentos! Muitas vezes o tiro pode sair pela culatra ou muitas vezes pode dar certo. E o resultado? O resultado é o gol! Por falar em gol, sem querer puxar o saco de ninguém, parabéns à organização do evento.
Puxa saco.
Acho que isso ficou gravado hein…
Acho que sim.
Vai pro ar?
Vai.
Ótimo.
É… ótimo.
Por Regis Luís Cardoso (Arte: Simon Taylor).


