A quem interessa que informações sejam produzidas por ‘jornalistas sem formação’?

Debate com a participação da presidenta do SindijorPR, Aline Reis, e o secretário da FENAJ, Rogério Christofoletti, integrou as ações do Dia D pelo Diploma no Paraná (Imagem: Reprodução/CUT-PR)

Presidenta do SindijorPR e secretário da FENAJ debatem importância do diploma de jornalista para a sociedade

A presidenta do SindijorPR, Aline Reis, e o secretário de Educação, Cultura e Aperfeiçoamento Profissional da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), Rogério Christofoletti, foram os debatedores do episódio da Quarta Sindical desta quarta-feira (26/08). A partir do tema ‘Jornalismo: o diploma e a regulamentação da profissão, por que esta luta importa?’, os apresentadores Ana Carolina Caldas e Neveraldo Oliboni conduziram as discussões sobre o tema na live transmitida por meio do canal da CUT-PR no YouTube. A atividade foi alusiva ao Dia D pelo Diploma – manifestação nacional convocada pela FENAJ para a mesma data.

A presidenta do SindijorPR relembrou a origem da ação que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009 e que culminou com a queda do diploma de jornalista. “Isso nada mais é que uma movimentação patronal para atacar o trabalhador e a trabalhadora do jornalismo”, frisa, recordando a atuação dos empresários de rádio e TV de São Paulo, com a participação do Ministério Público Federal.

Ainda segundo Aline Reis, diferente do que empresas de comunicação vêm alardeando, a não obrigatoriedade do diploma para atuação como jornalista “não garante que haja mais ou menos liberdade de expressão”. “Quem são os donos das mídias no Brasil? Não houve aumento da liberdade de expressão com a queda do diploma de jornalismo, porque as empresas de mídia, quem consegue chegar ao grande público, as empresas de massa, continuam na mão de poucos. O que houve como consequência sobre isso com a queda da obrigatoriedade do diploma é uma desqualificação da informação que chega à população”, adverte.

Representando a FENAJ na atividade, Rogério Christofoletti ressalta que a luta pelo diploma para o exercício da profissão não interessa somente a quem é jornalista. “Você iria se consultar com um médico que não tem diploma? Você daria a sua causa alguém para te defender de um processo para um advogado que não tem diploma? Então, por que que as pessoas aceitam consumir informação de ‘jornalista’ que não tem diploma? Ter informação de qualidade, ajuda as pessoas a se orientar na sociedade, a fazer as melhores escolhas, a evitar erros, a se orientar, a se instruir, a ter uma noção melhor sobre o que se passa na sua sociedade. Informação é necessária para as pessoas e informação ajuda a emancipar as pessoas”, analisa.

Tanto Aline quanto Christofoletti foram taxativos ao enfatizar que o argumento de que a exigência do diploma cerceia a liberdade de expressão não passa de uma falácia. “Na verdade, o que a gente tem aqui é uma tentativa de enganar a população. Não há cerceamento, ao contrário, a exigência do diploma assegura a informação de qualidade, que garante subsídios para que a pessoa possa se expressar e realizar escolhas melhoras”, reitera a presidenta do SindijorPR.

Para acompanhar a íntegra do debate sobre a retomada do diploma com a participação do Sindijor e da FENAJ acesse o episódio da Quarta Sindical aqui.

 

 

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