Congresso Nacional de Jornalistas aprova proposta do SindijorPR que modifica nome da FENAJ

Entidade passará a adotar Federação Nacional de Jornalistas, rompendo com o masculino neutro que remonta há décadas

A delegação que representou o SindijorPR no 40° Congresso Nacional de Jornalistas da FENAJ já retornou ao Paraná, após atuação intensa na discussão de propostas para a melhoria da classe das e dos profissionais de jornalismo em Brasília. Entre os destaques referentes à participação do Sindicato no evento está a propositura e aprovação da tese avulsa que altera o nome da FENAJ, retirando o masculino neutro usado há décadas e passando a adotar, em eventos e materiais de divulgação, Federação Nacional de Jornalistas. Foram aprovadas, ao todo, quatro teses-guia e nove teses avulsas.

As duas plenárias deliberativas do Congresso aconteceram nos dias 11 e 12 de dezembro, quando as delegadas e os delegados se concentraram no debate, defesa e votação das teses e moções que orientarão a atuação da Federação e dos sindicatos nos próximos anos. As sessões reuniram representantes de diversas regiões do país e consolidaram decisões políticas, programáticas e organizativas da categoria.

 

A proposta de alteração no nome da Federação foi debatida na assembleia que elegeu a delegação do SindijorPR para o Congresso, em outubro, e teve como autora a presidenta do Sindicato, Aline Reis.

“Pensando na linguagem como instrumento potente de disputa simbólica, essa alteração é importante porque é inclusiva, uma vez que contempla todas as pessoas e respeita a regra gramatical. Além disso, essa alteração dialoga com a quarta tese aprovada neste congresso que trata de um jornalismo antirracista, antimachista, plural e contra a misoginia”, destaca a presidenta.

Para a diretora executiva do SindijorPR e segunda tesoureira da FENAJ, Marcia Raquel de Oliveira, a participação do Sindicato do Paraná com delegação completa foi importante para o fortalecimento da categoria.

 

“É importante que o Sindijor esteja presente em todas as frentes de lutas da categoria, tanto no estado quanto no Brasil. A realização de um congresso presencial, depois de tanto tempo, foi uma grande oportunidade de conversar sobre a realidade de cada estado, buscar soluções para questões comuns e unir a categoria em torno das nossas grandes pautas, como a PEC do Diploma, a regulamentação das Big Techs e a luta contra a pejotização”, avalia Marcia Raquel.

diretora de Relações Institucionais, Riquieli Capitani, também enfatizou a presença da delegação no Congresso. “Como SindijorPR, integramos a mesa que coordenou o Congresso Nacional dos Jornalistas, espaço no qual representei nossa entidade na vice-presidência, reforçando o protagonismo do Paraná no debate nacional da categoria. O Congresso contou com dois momentos de plenária dedicados à discussão de teses e emendas, totalizando 15 teses apresentadas, entre elas a do Paraná, que propôs a atualização do nome da Federação”, declara.

Além de Marcia, Aline Reis e Riquieli, representaram a base do SindijorPR no Congresso o diretor de Cultura, Dary Jr., e a jornalista Ana Luísa Pereira, coordenadora da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Paraná (Cojira-PR).

Teses-guia e moções

 

Durante o Congresso foram apreciadas e votadas as teses-guia, que compunham os principais eixos de debate do Congresso e estabelecem diretrizes gerais para a atuação da FENAJ. A Tese-guia 1 foi aprovada com emendas e substituições, após debate entre as delegadas e os delegados. O texto aborda temas estruturantes para a categoria, como a defesa do jornalismo profissional, da democracia, da regulação das plataformas digitais e do combate à desinformação.

 

Já a Tese-guia 2, que trata dos impactos das tecnologias, especialmente da Inteligência Artificial, sobre o trabalho jornalístico, também foi aprovada. O documento reforça a necessidade de mediação humana, ética e proteção aos direitos trabalhistas diante da automação crescente nas redações.

 

A Tese-guia 3, também aprovada com emendas, concentra-se no fortalecimento da organização sindical, na valorização da FENAJ e na importância da atuação coletiva frente aos desafios contemporâneos da profissão. Por fim, a Tese-guia 4 reúne pautas relacionadas ao combate às desigualdades estruturais no jornalismo, incluindo questões de raça, gênero, diversidade e segurança no exercício da profissão. A tese foi aprovada, em conjunto com suas emendas e substituições, de forma unânime durante a plenária.

 

Em entrevista durante o Congresso, a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, ressaltou o papel das teses e moções como instrumentos centrais de organização política da categoria. “As teses que foram apresentadas e debatidas representam o nosso horizonte de luta. Elas são princípios que vão guiar as lutas dos jornalistas brasileiros, pelo menos até o próximo congresso”, afirmou.

 

Para Samira, o Congresso cumpre um papel fundamental de articulação nacional da categoria. “É um congresso de auto-organização, que teve participação ativa de delegados representando o Brasil inteiro e que dá uma orientação para a nossa luta cotidiana, que a gente precisa elaborar e aplicar na prática, nos nossos sindicatos”, disse.

 

Além das teses-guia, os delegados votaram nove teses avulsas que abordam pautas específicas da categoria. A Tese 12, que trata da jornada de cinco horas para servidores públicos, foi aprovada, com algumas alterações, por unanimidade, refletindo amplo consenso entre os participantes. Já a Tese 13, que propõe o enfrentamento ao assédio judicial e à violência digital contra jornalistas, também recebeu aprovação unânime, consolidando-se como uma das deliberações centrais do Congresso.

 

Moções, Carta de Brasília e Posse

 

As plenárias também apreciaram e aprovaram 15 moções. Entre elas, destacam-se a moção contrária à contratação do apresentador Datena pela empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a moção em defesa da realização de concurso na empresa pública, ambas aprovadas sem votos contrários.

 

Encerrando os trabalhos deliberativos, foi realizada a leitura da Carta de Brasília, documento político que sintetiza os posicionamentos, compromissos e diretrizes aprovados no 40º Congresso Nacional dos Jornalistas. “Realizamos a leitura da Carta do Congresso, documento que aponta ações e posicionamentos sobre temas centrais da pauta da categoria e do conjunto da classe trabalhadora. O resultado foi extremamente positivo, consolidando as diretrizes e as ações da FENAJ para o próximo período e fortalecendo o Sindijor Paraná como protagonista da luta das e dos jornalistas em âmbito nacional”, avalia Riquieli.

 

Ao final da última plenária, ocorreu a cerimônia simbólica de posse da nova diretoria da FENAJ. As diretoras e diretores já haviam sido empossados em evento online, realizado em agosto deste ano. O grupo estará à frente da FENAJ até 2028.

 

Comissão de Mulheres

 

SindijorPR também formalizou a sua representação na Comissão Nacional de Mulheres da FENAJ com a participação da presidenta Aline Reis como titular e da diretora de Relações Institucionais, Riquieli Capitani, como suplente.

 

Sobre o Congresso

O Congresso ocorreu de 10 a 13 de dezembro, no Sebrae Asa Norte, em Brasília (DF), com o patrocínio da Caixa, do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Banco do Nordeste (BNB) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além do apoio da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Associação dos Docentes da UnB (Adunb), Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf-CE) e Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

 

*Texto adaptado a partir do original, publicado pela FENAJ.

Autor:SindijorPR*

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