Jornalista Aluízio Palmar recebe título de doutor Honoris Causa na UNILA

Palmar obteve a titulação, em um gesto de reparação histórica, 57 anos após a interrupção de sua carreira acadêmica pela ditadura militar


“Honra e glória aos heróis da resistência! Golpes contra a democracia, nunca mais! Impunidade, nunca mais! Ditadura nunca mais”, assim o jornalista, escritor e pesquisador Aluízio Ferreira Palmar encerrou seu discurso durante a sessão solene em que recebeu o título de doutor Honoris Causa, nesta sexta-feira (26/09), no auditório do Jardim Universitário, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu. No mesmo ato, Palmar dedicou a honraria “a todas as companheiras e a todos os companheiros que tombaram na luta em defesa da democracia”.

Palmar obteve a titulação, em um gesto de reparação histórica, 57 anos após a interrupção de sua carreira acadêmica pela ditadura militar. “O ato ocorreu em reconhecimento à sua trajetória de luta em defesa da democracia e dos direitos humanos, sua contribuição à memória histórica e sua atuação política e social, especialmente em Foz do Iguaçu e em toda a América Latina”, registra a universidade em publicação oficial.

Jornalista aposentado e defensor aguerrido da democratização da sociedade brasileira, principalmente durante o período da ditadura militar, Palmar resistiu como militante nas décadas de 1960 e 1970 pelo PCB, MR-8 e a Vanguarda Popular Revolucionária. A partir de sua própria história, ele passou a atuar na defesa da memória e organizou uma vasta documentação e acervo sobre a ditadura brasileira, disponibilizados no site Documentos Revelados – trajetória lembrada nas várias manifestações registradas durante a homenagem.

Após receber várias homenagens durante a sessão solene, Palmar, como jornalista crítico e comprometido com o interesse público, listou ataques à democracia, passando pela ditadura militar, sem deixar de mencionar o contexto nacional recente. “O direito prevaleceu sobre a barbárie. Não tem perdão para aqueles que tentaram abolir o estado democrático de direito. Não tem pacificação quando a nação ainda está lambendo suas feridas, chorando os 700 mil mortos pela covid e recompondo os tecidos sociais contaminados pelo fascismo”, declarou, fazendo referência ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal das pessoas envolvidas na tentativa recente de golpe ao estado democrático brasileiro.

O vice-presidente regional do SindijorPR em Foz do Iguaçu, o jornalista José Roberto Geremias, esteve na sessão e enfatizou a importância da homenagem. “É uma forma de reconhecer todo o esforço e dedicação de Aluízio Palmar na luta pela preservação da memória, em favor dos direitos humanos e pela democracia”, considera, lembrando que recentemente o sindicato também prestou homenagem a Palmar.

*Com informações da UNILA

**Créditos: José Roberto Geremias/UNILA

Autor:SindijorPR*

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