Justiça condena autor de ataque racista contra o jornalista Franklin de Freitas

Foto: Igor Barrankievicz

A Justiça condenou Alcione Tessari, 65, nesta terça-feira (22/04) à pena de reclusão, inicialmente no regime semiaberto, por três anos e 28 dias, além de 135 dias-multa, por crime de injúria racial praticado contra o jornalista Franklin de Freitas, editor de fotografia do Bem Paraná e diretor de Imagem do SindijorPR, durante uma cobertura esportiva no estádio Couto Pereira, em Curitiba. A condenação acontece há poucos dias de o caso, registrado em 28 de abril do ano passado, completar um ano. O réu poderá recorrer em liberdade.

Na sentença, o juiz da 1ª Subseção Criminal do Foro Central de Curitiba, Fernando Bardelli Silva Fischer, registra que “verifica-se que o réu praticou o delito de injúria racial em ambiente esportivo, durante uma partida de futebol”. O magistrado menciona ainda que o ato foi cometido a despeito de uma série de campanhas de conscientização contra o crime de racismo.

No Paraná, inclusive, essa é a primeira condenação do gênero após a sanção das leis estadual e municipal de Curitiba que levam o nome de Vinicius Júnior, ‘Vini Júnior, atleta da Seleção Brasileira e do Real Madrid, alvo de frequentes insultos racistas ao longo de sua carreira.

Representado pelo advogado Luis Pedruco, Franklin conta que está aliviado em relação ao caso, mas afirma que segue cauteloso em relação ao futuro. “O racismo ainda é muito presente em nossa sociedade. Que essa condenação sirva de exemplo para as pessoas que acham que podem sair de casa para extravasar e cometer ataques racistas. Racismo é crime, passível de prisão”, expressa.

Desde janeiro de 2023, a prática de injúria racial foi equiparada ao crime de racismo, assegurando que os casos possam ser julgados a qualquer tempo, uma vez que não prescrevem, e mediante a aplicação de penas mais duras – elevando o período de reclusão de um a três anos para no mínimo dois e no máximo cinco anos de prisão.

É preciso importar-se


Ainda em sua sentença, o juiz Fernando Bardelli Silva Fischer sublinha a importância das testemunhas que compareceram às audiências para relatar o que viram no estádio, expondo as contradições entre o que o condenado alegou e o que fez no dia, quando fugiu do estádio assim que Franklin acionou o chefe da segurança.

Esse envolvimento também é destacado por Franklin, que pede senso de empatia e solidariedade das pessoas. “Fica aqui o meu apelo também para pessoas que presenciarem um ato de racismo, independentemente do local, para que essas pessoas levantem a voz, abracem a vítima e que vão à justiça para testemunhar o que viram”, declara, enfatizando a importância deste ato para a efetiva responsabilização daqueles que cometem crime de racismo.

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Autor:SindijorPR

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