Audiência debateu criação e implementação de protocolo integrado de comunicação aos familiares de vítimas fatais no Estado do Paraná
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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, representado por sua diretora executiva, Silvia Valim, participou de audiência pública realizada nesta terça-feira (23) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O debate foi pela criação e implantação de um protocolo integrado de comunicação aos familiares de pessoas mortas no estado.
Proposto pelo deputado Goura (PDT), o encontro contou com a participação de representantes de órgãos de trânsito, de segurança pública, entidades de classe e especialistas. Os presentes discutiram a regulamentação de procedimentos para este tipo de comunicação, inédito no país.
“É uma situação muito dramática e trágica que exige uma postura sensível por parte do poder público. Discutimos juntos quais os melhores protocolos para que essa situação seja contemplada. Avançamos bastante desde a proposta inicial. A contribuição de todos é importante para a criação de uma lei efetiva, humanizando o serviço público e avançando nos princípios da não violência”, relatou o deputado.
O delegado da Delegacia de Trânsito de Curitiba (Dedetran), Edgar Dias Santana, é o responsável pela elaboração do protocolo de comunicação. Durante a audiência, ele detalhou pontos do texto. “Diante da quantidade relevante de mortes que ocorrem no trânsito, o departamento da Polícia Civil solicitou que elaborássemos um protocolo de fluxo em relação à forma de se comunicar aos familiares das vítimas. Elaboramos este protocolo que visa justamente uma comunicação humanizada. Esperamos com isso trazer o mínimo de conforto para os parentes e familiares das vítimas fatais. Por isso, debatemos quem participará deste setor que será criado para que possamos estabelecer a logística e a dinâmica da comunicação”, explicou.

Na oportunidade, a diretora Executiva do Sindicato dos Jornalistas dos Profissionais do Paraná (SindijorPR), Silvia Valim, explicou que, em casos sinistros com óbitos, muitas vezes a imprensa é a primeira a identificar e noticiar as vítimas, porém, “em caso de morte, a família deve ser avisada por profissionais qualificados e treinados para a função, e não pela imprensa. Infelizmente, muitos meios de comunicação violam garantias constitucionais. Durante a cobertura de grandes desastres, por exemplo, têm sido utilizadas cada vez mais imagens aéreas ao vivo, capturadas por drones, sem qualquer corte ou edição, o que possibilita uma comunicação extremamente constrangedora para familiares das vítimas. Em alguns casos, famílias ficam sabendo da situação de seus entes por meio da cobertura da imprensa.
Silvia Valim lembrou em sua fala do Art. 6º e 11º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros que impõe o dever do jornalistas de “respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão”, assim como não “divulgar informações de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes”.
“Não à toa, a Federação Nacional dos Jornalistas e Sindicatos Associados estão em constante campanha para que essa seja uma atividade exercida por profissionais formados, que sabem que a informação não deve passar por cima da dignidade humana”, finaliza a diretora.
O jornalista Nelson Bortolin, membro do Conselho Fiscal do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR) também participou da audiência de forma remota com exemplos práticos de sua vivência na cobertura humanizada de mortes causadas pelas forças policiais por meio da Rede Lume de Jornalistas.
Informações: Assessoria/ Alep
Fotos: Valdir Amaral/Alep
Fotos: Valdir Amaral/Alep
Mais detalhes em: https://www.assembleia.pr.leg.br/comunicacao/noticias/proposta-pretende-criar-protocolo-para-comunicacao-de-familiares-de-vitimas-de-acidentes


