Fenaj repudia apologia à tortura e defende processo ético contra Eduardo Bolsonaro

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nota oficial nesta segunda-feira (04) em que repudia a apologia à tortura e defende abertura de processo ético contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro. No domingo (3), o parlamentar, que é filho do presidente Jair Bolsonaro, ironizou a tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão, do jornal O Globo e da Globo News, durante a ditadura militar.

“Ainda com pena da cobra”, escreveu Eduardo Bolsonaro em seu perfil oficial no Twitter. O post faz referência à tortura sofrida por Míriam Leitão. Grávida, a jornalista ficou presa em um quarto escuro junto com uma cobra jiboia.

Na nota, a Fenaj observa que não é a primeira vez que Eduardo Bolsonaro tratou a tortura como uma prática banal e defensável. “Nossa solidariedade à jornalista Míriam Leitão, às vítimas da ditadura militar e aos familiares das vítimas que não resistiram às torturas e sucumbiram nos porões dos cárceres”, manifesta a Federação.

Íntegra da nota da Fenaj:

“Deputado Eduardo Bolsonaro deve perder o mandato pelo crime de apologia à tortura

4 de abril de 2022

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), entidade máxima de representação da categoria no país, vem a público repudiar a apologia à tortura, um crime que é também uma manifestação inequívoca de desumanidade.

E, para que não haja relativização em favor dos criminosos, a FENAJ defende a imediata abertura de processo ético contra o deputado Eduardo Bolsonaro, que neste domingo, 3 de abril, quis debochar da jornalista Míriam Leitão, colunista do jornal O Globo e comentarista da Globo News, citando um episódio de tortura a que ela fora submetida, quando presa durante a ditadura militar.

Não foi a primeira vez que Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, tratou a tortura como uma prática banal e defensável. Também não foi a primeira vez que a jornalista Míriam Leitão foi desrespeitada pela família Bolsonaro, em sua história de militante e presa política. Portanto, passa da hora de os demais poderes constituídos da República brasileira, excluída a Presidência, por motivos óbvios, agirem para garantir o Estado de Direito, com a punição cabível para autoridades que insistem em agir fora dos preceitos legais e democráticos. Algumas dessas autoridades, como Bolsonaro pai e filho, também demonstram absoluta falta de empatia e compaixão, sentimentos normalmente partilhados entre os seres humanos.

Na oportunidade, a FENAJ defende ainda a punição para os torturadores, militares e civis, que cometeram seus crimes durante a ditadura militar e que continuam impunes, com base numa interpretação equivocada da Lei da Anistia. Lembramos que a tortura é crime equiparado aos crimes hediondos e é imprescritível.

Punição para os torturadores e para os que fazem apologia à tortura!

Nossa solidariedade à jornalista Míriam Leitão, às vítimas da ditadura militar e aos familiares das vítimas que não resistiram às torturas e sucumbiram nos porões dos cárceres.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ”

Please select a feed to display...