Após seis meses, jornalistas resistem em defesa da data-base

Foto: Flávio Augusto Laginski

Jornalistas do Paraná completam, nesta terça-feira (1º), seis meses do vencimento da data-base em 1º de maio. Essa demora em fechar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2016-2017 é fruto do desrespeito dos empresários da comunicação com seus trabalhadores.

A tentativa de negociação iniciou antes de maio, com o envio da Pauta de Reivindicações aos sindicatos patronais em 11 de abril. Os itens foram analisados e aprovados por cerca de 50 jornalistas de diversas regiões durante a Plenária Estadual do SindijorPR, em Guarapuava, no dia 02 de abril.

A negociação deste ano mostrou que seria dura para o SindijorPR quando na primeira mesa representantes patronais ofereceram reajuste zero nos salários, ignorando o fato de que a inflação do período fechou em 9,83%. Ou seja, mesmo após Curitiba liderar a inflação nacional, ultrapassando 11% em 2015, elevando ainda mais as perdas salariais dos jornalistas, as empresas de comunicação apresentavam um ataque ao único mecanismo de valorização dos trabalhadores.

Em resposta à afronta patronal, o SindijorPR convocou mobilizações em todo o estado e levou mais 30 jornalistas à segunda mesa de negociação. “Foi preciso que os jornalistas participassem de uma das mesas para mostrar força e de que uma proposta assim jamais seria aprovada”, lembra o diretor-presidente do SindijorPR, Gustavo Vidal. Resultado: as empresas retiram o zero da mesa.

Mesmo recebendo um sonoro “não” para uma proposta extremamente ruim, os patrões tentavam ignorar esse fato. Até o momento, após passar índices como 2% ou pagamento escalonado, o máximo ofertado para reposição salarial é de 5%.

Em paralelo à negociação, o Grupo Paranaense de Comunicação (Grpcom), que em 2015 lucrou mais de 84 milhões de reais, e a Rede Independência de Comunicação (RIC), que anunciou crescimento em audiência e, consequentemente, em faturamento, promoveram série de demissões dificultando ainda mais a situação no meio da campanha salarial.

Gustavo Vidal reforça que o SindijorPR está preparado para continuar a disputa com as empresas e que não vai deixar de defender os interesses dos jornalistas. “Se aceitássemos desde o início a proposta de 5% já estaríamos acumulando perdas, sem saber quando as recuperar. Neste momento, depois do avanço nas negociações, não é possível aceitar menos do que a inflação integral”.

Vidal diz também que o argumento de que há crise financeira no país não pode ser aceita. “No período em que a economia estava forte, não fomos ‘beneficiados’ com aumentos. Por que agora nós teremos que pagar por isso?”, avalia.

A última mesa de negociação foi no dia 20 de outubro. Passados 12 dias, o SindijorPR aguarda uma proposta dos representantes patronais para que seja agendada uma nova reunião para discutir o andamento da negociação.

Autor:SindijorPR

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