ASSÉDIO MORAL: RICTV é condenada em ação movida por jornalista

Imagem: CTRL S Comunicação

As práticas de assédio moral são constantes na vida de jornalistas, principalmente os que trabalham em redação. Não é raro ouvir a história de algum colega que já passou por este tipo de constrangimento, pautado pelo deadline ou mesmo perseguições pessoais que prejudicam a atuação profissional, ou simplesmente por pura antipatia por parte da chefia ou colega de trabalho, que busca minar a resistência e a paciência do jornalista, entre outros.

Foi o que aconteceu com a jornalista Fabíola Zanellato, no período em que trabalhou na Rede Independência de Comunicação (RICTV). Ela entrou com uma ação trabalhista contra a emissora e a Justiça do Trabalho concluiu que a profissional foi vítima de assédio moral e condenou a empresa a pagar o valor de 15 mil reais. A RICTV pode recorrer.

“Eu era editora na RIC no ano de 2009, quando passei a ser perseguida pela Ivete Azzolini (gerente de jornalismo), sofrendo diversos constrangimentos. Resolvi dar um basta e entrei com um processo contra a empresa e ela. Esse assédio acabou com a minha saúde e com minha vontade de continuar no jornalismo. Tanto que migrei para outra área”, relata Zanellato.

Em função do assédio, a jornalista sofreu de depressão e estresse, sendo considerada inapta para o trabalho. Ela revelou que já havia passado por uma situação semelhante em outras empresas e que resolveu não sofrer mais este tipo de abuso.

Na decisão proferida no processo 24766-2012-006-09-00-0, o desembargador Luiz Eduardo Gunther reconheceu que houve atitude abusiva da chefe hierárquica ao tratar de modo agressivo a jornalista. “As atitudes da superiora acarretaram constrangimentos à reclamante e sua exposição a situações humilhantes. O dano moral existe do próprio ato ofensivo”, diz trecho da decisão.

O magistrado também define como assédio a prática de constranger a jornalistas na frente dos demais empregados. “As atitudes da Sra Ivete afrontaram o bem-estar da reclamante no local de trabalho e, até mesmo, sua saúde psíquica, extrapolando os limites do poder diretivo da reclamada, expondo a trabalhadora à situação vexatória”. O tratamento agressivo não é natural nas relações trabalhistas, classificou Gunther, “já que afronta a dignidade do trabalhador e as atitudes violam direitos da personalidade, honra, imagem e autoestima”. Ivete Azzolini foi procurada pelo SindijorPR, mas não quis se manifestar.

Zanellato diz querer inspirar outros colegas de profissão a não ter medo de processar quem pratica o assédio moral. “Não podemos ficar quietos, com temor em denunciar. Não devemos baixar a cabeça e deixar o assediador impune. Espero que o meu gesto possa servir de exemplo para outros colegas que passam por uma situação como esta”, desatacou.


ORIENTAÇÃO

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) disponibiliza gratuitamente em sua sede uma cartilha que orienta o combate ao assédio moral. O sindicato explica que jornalistas assediados devem registrar provas, pois somente com a confirmação da prática é que se consegue tomar medidas administrativas ou mesmo judiciais.

Em caso de assédio, procure o SindijorPR para relatar o acontecido. O jornalista assediado pode procurar também outros órgãos, como o Ministério Público, Justiça do Trabalho e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.

Fonte:SindijorPR

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