Depois de atrasar salários, O Dia e Meia Hora dispensam jornalistas

Mais demissões na imprensa brasileira. Desde a última semana, ao menos nove profissionais de O Dia e Meia Hora perderam seus empregos. A situação, conforme apuração da reportagem do Portal Comunique-se, reflete a crise enfrentada pela Empresa Jornalística Econômico S.A (Ejesa), controladora dos dois impressos cariocas, que não paga corretamente a determinados colaboradores desde fevereiro. Antes das dispensas ocorridas nos últimos dias, parte da equipe protestou contra os recorrentes atrasos salariais e chegou a ameaçar a iniciação de greve.

Diretor de redação de O Dia desde junho de 2012, Aziz Filho foi um dos dispensados. Além dele, ao menos outros seis jornalistas tiveram seus vínculos com a empresa rompidos: Eliane Bastos Velloso, Estela Monteiro, Fernando Molica, Marcia Disitzer, Maria Luísa Barros e Roberto Pimentel Ferreira. Secretária de redação do jornal e funcionária do título ao decorrer de 18 anos, Nathalie Chianello foi demitida na segunda-feira, 30, e falou do “encerramento do ciclo” por meio de seu perfil no Facebook. “Vivi muitas alegrias, vibrei com vários prêmios de amigos queridos, enfim só tenho a agradecer a todos pelos anos que estive num ambiente tão maravilhoso e agradável”, publicou.

Com mais de 20 anos de casa, o diretor de arte André Hippertt integra a lista dos dispensados. Em sua página no Facebook, ele confirmou a saída. “Fiz inúmeros projetos e ajudei a criar um dos maiores sucessos editoriais da história. Meu tempo no Dia e no Meia Hora se encerrou hoje. Muita gente boa continua e torço pelo sucesso dos jornais mais queridos do Rio”, divulgou. Assim como o designer, profissionais de outros departamentos foram demitidos. Conforme publicado na semana passada pela coluna de Lauro Jardim em O Globo, os diretores Paulo Renato (comercial) e Ricardo Carvalho (administrativo) deixaram a empresa.

Responsável pela edição da coluna ‘Informe do Dia’ nos últimos oito anos, Fernando Molica também recorreu às redes sociais para falar de sua saída da Ejesa. Ele aproveitou para externar a crise financeira que toma conta da corporação. “Não estava dando para conviver com a crise, com os atrasos no pagamento dos salários, com todas as dificuldades. O que ocorreu ontem não surpreendeu ninguém. Resta torcer que, apesar de tudo, os colegas que lá ficaram segurem a onda e consigam manter os jornais vivos”. Fora da redação de O Dia, o jornalista e escritor tem se dedicado ao blog que leva o seu nome: fernandomolica.com.br.

Até o momento, nenhum executivo da Ejesa se pronunciou oficialmente a respeito do enxugamento do quadro de funcionários. Uma fonte ligada às redações de O Dia e Meia Hora garantiu à reportagem do Portal Comunique-se que mais cortes devem ocorrer nos próximos dias. A mesma pessoa contou que há “demissões em vários setores” e que obrigações trabalhistas não estão sendo cumpridas por parte dos empregadores nem mesmo na hora do desligamento. “Pior é que estão demitindo sem pagar nada”, reforçou, antes de salientar que o clima dentro da Ejesa é de profunda tristeza.

Autor:Comunique-se

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