Afastamento de professores causa tumulto na PUCPR

Foto: PUCPR

A comunidade acadêmica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) vive um período turbulento desde que nove professores foram afastados de suas atividades, por tempo indeterminado, desde o dia 12 deste mês. Os professores, ligados ao Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes) alegam perseguição por parte da instituição por não ter quebrado o sigilo da fonte por conta de denúncias publicadas no jornal do sindicato. A PUCPR, porém, alega outros motivos para o ato.

De acordo com o vice-presidente do Sinpes e professor de direito trabalhista, Valdyr Perrini, a situação começou no mês passado, quando foi veiculado no informativo Didata denúncias contra a universidade. “Eles interpelaram pedindo que fossem divulgadas as fontes usadas pela nossa jornalista para fazer as matérias. Ela havia entrado em contato com a PUCPR mandando tópicos dos assuntos para que a universidade pudesse se defender. Como não tivemos respostas deles, seguimos em frente e publicamos o material. Não publicaríamos estas denúncias caso não tivéssemos provas”, salienta. Perrini diz também que ofereceram espaço no Didata para que a PUC mostrasse o seu lado da história. “Jamais iríamos revelar nossas fontes, uma vez que é um direito constitucional, mas oferecemos para a universidade um espaço para o direito de resposta”, afirma. O professor lamenta ainda que os docentes receberam notificação de que estavam sendo afastados em virtude das matérias publicadas no jornal do sindicato. “Eles suspenderam professores que possuem longos anos de serviço e estavam orientando monografias e dissertações como forma de perseguição. É uma situação muito desgastante e triste”, opina.

A assessoria de comunicação da PUCPR divulgou uma nota oficial em que o afastamento dos docentes foi “por atos considerados ofensivos à honra e boa fama, divulgados por meio da edição nº 38 do veículo Didata, pertencente ao Sindicato. Esse procedimento visa à proteção dos professores, dos alunos e de toda a comunidade universitária, durante o período de apuração desse triste evento”.

A nota diz também que a instituição buscou o entendimento e os devidos esclarecimentos sobre as ofensas irrogadas contra ela e contra as demais vítimas dos editoriais e que, em momento algum, buscou quebrar o sigilo da fonte e que o Sinpes “não esclareceu aos questionamentos e, como se não bastasse, imputou à jornalista responsável pela editoração do jornal toda a responsabilidade pelo conteúdo dos editoriais. Em virtude disso, a Instituição entende a necessidade de serem apuradas, antes de qualquer decisão definitiva, as responsabilidades dos proprietários do veículo (Conselho Administrativo do Sinpes)”.

A PUCPR informa que está apurando internamente os fatos e levou a questão aoâmbito judicial, em virtude de um possível cometimento de crimes contra à honra, comumente conhecidos como calúnia, injúria e difamação. Foi dito também os professores afastados permanecerão com a remuneração salarial e que os estudantes não serão prejudicados com a medida.

Fonte:SindijorPR

Autor:Flávio Augusto Laginski

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