Fecha-se uma porta, abrem-se outras

Arte: Simon Taylor

As demissões na Gazeta do Povo, incluindo o fechamento de sucursais no interior, ganham um sentido trágico para muitos jornalistas que assistem o encolhimento do maior jornal do Paraná. Certamente é ainda mais trágico para aqueles que foram demitidos, mas também para aqueles que sonham em trabalhar no veículo. Mas é também o reflexo de um momento crítico, principalmente para o jornalismo impresso que vive um de seus momentos mais difíceis desde que o jornalismo de papel consolidou-se como referência. Não é só a Gazeta. Outros impressos também passam pelo mesmo problema. O Diário de Guarapuava fechou as portas, até onde se sabe. Os Diários Associados da região norte do estado dizem estar em dificuldade financeira. O mesmo discurso é proferido por Diário dos Campos e Jornal da Manhã em Ponta Grossa, O Paraná, de Cascavel, Gazeta do Paraná, de Foz, entre outros jornais locais com certa tradição.

Para qualquer dono de veículo impresso que se pergunte sobre o problema atual, provavelmente todos dirão que a grande vilã da história é a internet. Não apenas por conta da transmissão de dados, mas pelo modelo que impôs a informação gratuita, dinâmica e participativa. O público está migrando e com ele a publicidade e, portanto, o dinheiro, que é o que mantém e realmente importa aos donos dos veículos comerciais.

Independente das justificativas empresariais, a defesa do emprego deve ser sempre uma premissa de qualquer sindicato. Porque se trata de trabalhadores, pessoas que sustentam famílias, apostaram suas vidas no jornalismo e gostam da profissão. Certamente não é dinheiro que convence uma pessoa a ser jornalista, com raríssimas exceções de profissionais bem remunerados. É por isso que o SindijorPR se coloca contrário a qualquer demissão. Porque fere o princípio básico do reconhecimento e do valor de um profissional e acaba com as perspectivas daqueles que pretendem ser.

É neste momento que transparece a contradição do lucro, do jornalismo, atividade de interesse público, submetido, muitas vezes, aos interesses comerciais. Mas a diminuição da capacidade de se fazer um jornalismo com mais qualidade e mais abrangente, traz também novas perspectivas. A notícia continua sendo um dos conteúdos mais acessados na internet. Significa, portanto, que a demanda pelo serviço aumenta, enquanto que o mercado convencional tem cada vez menos a oferecer. Em resumo, é preciso perceber que novas oportunidades começam a se abrir para o jornalismo.

Uma delas é a possibilidade de avançarmos na luta pelo crescimento da mídia pública no país, algo que vem sendo consolidado com o surgimento da EBC em 2003. O repasse de recursos públicos para a mídia pública (não confundir com estatal), um dos quesitos previstos na Lei da Mídia Democrática, é um passo importante para que se possa fazer um jornalismo mais autônomo e, portanto, percebido como esteio da democracia.

A partir de medidas que determinem regras para a mídia, seja ela pública ou comercial, é possível que o jornalismo se diversifique ou se desmonopolize a ponto de permitir o surgimento de novos veículos e, portanto, de novas formas de inserção em um mercado de trabalho cada vez mais saturado. O momento é agora.

Fonte:SindijorPR

Autor:Diretoria SindijorPR

Please select a feed to display...