Trabalhadores da EBC cobram valorização profissional e fortalecimento da comunicação pública

Jornalistas se mobilizam pela comunicação pública (*Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados)

“O governo ainda não tem clareza da importância da comunicação pública de fato, não a comunicação governamental, não a comunicação chapa branca, mas que consiga promover cidadania e criticidade na população”, afirma Helena Machado, jornalista integrante da Comissão de Empregados da EBC

O ambiente de formalidade, dos ternos e gravatas de cores sóbrias, ganhou um componente surpresa nesta quinta-feira (13), no Fórum Brasil de Comunicação Pública, realizado no auditório da Câmara dos Deputados, em Brasília. As grandes faixas coloridas atraíram olhares atentos da plateia que ouvia a palestra do diretor da Empresa Brasil de Comunicação Pública – EBC, Nelson Breve.

 

Carregadas por trabalhadores de emissoras públicas de comunicação, as faixas questionavam o risco de terceirização, as práticas antissindicais e a falta de plano de carreiras. A ação teve protagonismos de seis sindicatos de jornalistas e radialistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, cada estado com duas entidades; essas que assinaram e distribuíram uma carta sobre a luta dos trabalhadores aos participantes do Fórum.

 

“O nosso é o menor piso de todas as empresas públicas”, dispara Helena Martins, jornalista integrante da Comissão de Empregados da EBC. Segundo a jornalista, existe alta rotatividade na empresa já no primeiro ano de trabalho, quadro incomum no serviço público. Uma das explicações para este problema é a falta de planos de carreira e adicional por formação.

 

Quando questionado sobre a falta de valorização dos funcionários, Nelson Breve afirmou que a diretoria da EBC tem o papel de “zelar pela empresa do ponto de vista da sociedade e não dos servidores”. Apesar de se tratar de serviço público, o diretor defendeu os baixos salários a partir da comparação com os pisos para profissionais de comunicação do setor privado.

 

Helena Martins contesta o argumento do diretor e aponta a necessidade da empresa pública ser referencia de gestão, de conteúdo e participação, para garantir, inclusive, a qualidade do conteúdo. Para a jornalista, Nelson Breve não poderia justificar a precarização, mas se colocar como “diretor de uma empresa que não tem sido valorizada pelo poder público”, e reivindicar avanços.

 

Apesar de não reconhecer a necessidade de melhoria dos salários dos trabalhadores da comunicação, o diretor da EBC afirma que é preciso haver pressão social para o avanço do sistema de comunicação de caráter público: “Se a sociedade não entender, não reivindicar, não pressionar, os recursos da comunicação pública sempre serão escassos e ineficientes para atender às demandas. É muito caro fazer comunicação de qualidade”.

 

“Fazemos este movimento para fortalecer a EBC, e não o contrário”

 

A luta por valorização dos trabalhadores caminha em paralelo à busca pelo fortalecimento da comunicação pública. “Fazemos este movimento para fortalecer a EBC, e não o contrário”, opina a jornalista da EBC.

 

“Não somos nós que queremos cortar recursos da empresa”, em referência aos Recursos da Contribuição para o Fomento à Radiodifusão Pública, que corre o risco de não chegar ao destino. “Esse dinheiro pode virar superávit primário. A gente quer que esse dinheiro venha para a EBC e que chega à casa das pessoas”, defende a jornalista da Comissão de Empregados da empresa.

 

<pclass=”msonormal”>A contribuição foi instituída pela Lei nº 11.652, de 2008, e é feita a partir da retira um percentual do Fundo de Fiscalização de Telecomunicações (Fistel). Estima-se que o valor arrecadado dessa contribuição pelas teles é de aproximadamente R$ 2 bilhões.</pclass=”msonormal”>

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“O governo ainda não tem clareza da importância da comunicação pública de fato, não a comunicação governamental, não a comunicação chapa branca”, mas que consiga promover cidadania e criticidade na população, afirma a jornalista. A falta de clareza se revela pela falta de prioridade política e orçamentária.

 

Para Helena Martins, também ficou clara a postura do governo por não enviar ministros ou representantes para o Fórum Brasil de Comunicação Pública: “Isso é um equívoco político”.

 

Prática antissindical

 

Desde a greve feita em novembro de 2013, que durou 15 dias, os sindicatos registraram práticas antissindicais por parte da EBC. Entre obstáculos à organização dos trabalhadores, tentativa de desqualificação de lideranças e da entidade representativa, além de casos de assédio moral e de retaliação contra dirigentes.

 

Nelson Breve nega as práticas:“Os gestores da empresa precisam ser respeitados, o respeito tem que ser dos dois lados”. Sobre as mudanças nos cargos, o diretor afirma que substituições foram feitas para “ampliar a abertura de diálogo”.

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Fonte:SindijorPR

Autor:Ednubia Ghisi

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