Celso Schröder – Candidato da Chapa 1: Sou jornalista, sou Fenaj!

A Federação Nacional dos Jornalistas realiza, nos dias 16, 17 e 18 de julho, as eleições da sua nova diretoria. Duas chapas concorrem: Chapa 1 – "Sou Jornalista, Sou FENAJ!", de situação, e Chapa 2 – "Luta, FENAJ!”, de oposição. Lembrando que este trabalho é uma publicação do jornal Extra Pauta de julho (edição 101). Após o impresso chegar aos jornalistas sindicalizados, o novo EP estará disponível na web.

Celso Schröder é o atual presidente da Fenaj e da Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc), também diretor do Comitê Executivo da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) e professor do curso de jornalismo da PUC-RS desde 1986. Formando em jornalismo pela PUC-RS e especialista em Sociologia pela UFRGS, é cartunista e ilustrador autônomo desde 1974, chargista desde 1986 no jornal Correio do Povo, do qual está licenciado. Exerceu a presidência do Sindicato dos Jornalistas do RS – do qual é diretor atualmente – por três mandatos. Entre 1996 e 1998, foi secretário de comunicação do PT gaúcho e, em 2009, dirigiu a Superintendência de Comunicação Social da Assembleia Legislativa do RS. Membro titular do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (2004/2006) e na atualidade.

Extra Pauta: Quais foram os pontos fortes e os pontos fracos da atual gestão da Fenaj?
Celso Schröder: O ponto forte da Fenaj é o tamanho da Federação. Hoje somos uma das maiores federações do mundo e isso graças a uma unidade que construímos a partir de alguns princípios, o principal deles, e que organiza os jornalistas brasileiros, é o de centrar a atuação política a partir de orientações dos jornalistas. A nossa organização, diferentes de outras, tem uma fraca ou não hegemônica participação de partidos políticos, de tendências partidárias, ou mesmo de centrais sindicais, constituímos uma base de acordo com nosso programa. Atualmente a grande força da Federação é nossa ação na questão do diploma, pois quando o atacam, não estão atacando uma característica da nossa formação, estavam atacando a profissão, tentando desestruturar a profissão. Acho que o Gilmar Mendes verbaliza isso, quer que o empregador decida. Então resistir na questão do diploma me parece essencial. Outro ponto é sobre a formação do jornalista, as diretrizes agora aprovadas são consequências da nossa ação, do nosso programa de qualidade no ensino. Também a questão da defesa dos jornalistas tem sido decisiva, a participação junto à secretaria de direitos humanos da presidência no sentido de constituir uma ouvidoria, um observatório da violência no Brasil, nos parece importante. O piso salarial único é vitória nossa e o fato de ter sido apresentada ao Congresso Nacional valida uma posição: constituir uma política que garanta um piso nacional, ao mesmo tempo que garanta que nos possibilite que façamos um acordo com as empresas em nível nacional com esse piso único. Já os pontos fracos, temos várias coisas que precisamos dar conta. Uma delas é reverter o problema da cultura neoliberal, que se impregnou com um projeto não mais coletivo e sim individualista. Precisamos enfrentar e defender as organizações sindicais através de práticas que as represente efetivamente. Também bancar de uma maneira inequívoca o Conselho Federal dos Jornalistas. Essa é uma diferença entre nós e a chapa de oposição.

EP: Um dos principais problemas da categoria é a dificuldade em se organizar para sair em defesa dos seus direitos. O que a Fenaj pretende fazer para superar este problema?
CS: O que nós estamos fazendo. A Fenaj tem esse grau de unidade e não é a toa que ela congrega a grande maioria dos sindicatos dos jornalistas do Brasil. Isso significa organizar pautas de reivindicações em nível local para nacionalizar o que for possível. Por exemplo: a questão do piso nacional, a questão da violência, questão do conselho nacional, da segurança dos jornalistas, são pautas que a Fenaj tem que dar conta como organização nacional e que os sindicatos precisam imprimir nos seus locais de trabalho. A organização sindical se dá através de direções que não estão descoladas das suas bases, que se mobilizam a partir da possibilidade da vitória, ou seja, os jornalistas assumem a direção de uma entidade sindical com a perspectiva de implementar um programa próprio e não gestado em tendência de partido político. Nossos programas são sinalizados ao longo da história da Fenaj e isso ficou configurado na pesquisa que a Federação promoveu junto com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que demonstra a realidade dos jornalistas. Se olhar o programa que nós defendemos é o que está na pesquisa. Ou seja, 92% apoiando um conselho de jornalistas, 62% apoiando a formação profissional, está desenhado qual é o programa que temos obrigação de levar em frente.

EP: Quais são as principais propostas da sua chapa?
CS: O que nos distingue é a defesa intransigente e inequívoca do diploma de jornalista. Efetivamente, são os sindicatos aqueles que sempre defendem, participam, resistem a essa pauta, que já foi acusada de ser pauta única. Também defendemos a questão do Conselho Federal dos Jornalistas, nós não titubeamos sobre isso e nem vinculamos essa nossa regulamentação a financiamento externo ou patronal. A segurança dos jornalistas é uma questão decisiva neste momento, cresce o problema no país e isso é insuportável numa democracia. No momento, quem pode fazer a nossa defesa são os jornalistas, as empresas abandonaram esta trincheira e os movimentos sociais estão confusos a respeito desta atividade. O jornalismo não é fruto do negócio jornalismo, é fruto do trabalho do jornalista. Os jornalistas são atores responsáveis pela atividade de fazer um jornalismo livre e independente.

EP: De que maneira as entidades sindicais dos jornalistas podem ir além das questões corporativas e se inserir no atual contexto ligado às questões sociais?
CS: Nós somos a geração de jornalistas que retirou o debate da profissão de uma prática sindical antiga e conservadora. A partir dos anos 80 unificamos os sindicatos estaduais, produzimos e fortalecemos a Fenaj. Nós participamos decisivamente da vida social brasileira. Participamos decisivamente da redemocratização do país, inauguramos o projeto de democratização da comunicação no Brasil, constituímos o FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) como agente político para além dos jornalistas, para que pudéssemos atuar decisivamente junto com outras organizações em nossa defesa. Fomos decisivos na construção da Central Sindical Única dos Trabalhadores. Fizemos a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), enfrentamos uma vontade política que por parte das empresas de comunicação sabotaram a Conferência ao seu limite. Além de movimentos que não queriam a Confecom sem uma dimensão pública e nacional que ela teve; mesmo assim conseguimos tirar dali uma política publica efetiva. Infelizmente o governo não teve ou não quis dar continuidade a isso. Enfrentamos também, do ponto de vista do combate democrático, a decisão do FNDC de retirar-se da defesa intransigente de um marco regulatório imediato. Defendemos o imediato marco regulatório, é uma obrigação do governo Dilma. O que estamos exigindo do governo atual é aquilo que o governo Lula nos sinalizou. Um projeto de um marco regulatório imediato.

EP: Como a Fenaj poderia articular as pautas regionais de modo que elas tornem-se nacionais?
CS: O Brasil tem característica de mídia nacional forte e mídia regional fraca. Acho que no ponto de vista jornalístico as demandas são quase que exclusivamente nacionais. Nós temos atuado na questão da segurança no nordeste, por exemplo, e também em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso, quer dizer, as pautas precisam ser nacionais. Elas se apresentam regionais, mas são pautas nacionais. Por isso cresce a Fenaj. Ela não substitui os sindicatos, nem deve substituir, mas ela tem a obrigação, em nível nacional, de dar conta de pautas que são maiores que os sindicatos, questão da segurança é uma delas, o conselho de comunicação, a regulamentação da profissão, o debate ético, são exemplos dessa dimensão pública. Então devemos ouvir as regiões, fazer nossos congressos e incorporar as demandas regionais na direção nacional. Nossa chapa tem o programa de décadas de demanda, nossos dirigentes compõe a expressiva maioria dos sindicatos brasileiros, ou seja, o regional já se expressa nessa formatação de política que toma dimensões nacionais quando vem pra Fenaj.

 

Por Regis Luís Cardoso 

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