O que quer esconder o senhor Clayton Camargo?

Por que dificultar o acesso às informações dos trabalhos do Conselho Nacional de Justiça que procura a verdade sobre denúncia de tráfico de influência e de venda de sentenças envolvendo Camargo e seu colega, o desembargador Rafael Augusto Cassetari? Esta uma das perguntas que ficam no ar quando jornalistas têm dificultado seu trabalho de apuração dos fatos.
A truculência do senhor Camargo é um sinal claro de preocupação com as informações que possam se tornar públicas. Na quarta-feira negou-se a dar entrevista por telefone e ofendeu um jornalista que buscava garantir o direito de pronunciamento do desembargador. Ontem mandou expulsar das dependências do TJ o mesmo jornalista que havia ido ao local para acompanhar a visita do CNJ. E hoje tentou impedir a realização e uma entrevista coletiva dos conselheiros, mas acabou cedendo às pressões, porém, convocou policiais militares para se prestarem ao lamentável trabalho de escoltar os profissionais da imprensa no interior do prédio.
O pedido de investigação foi protocolado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2011, ainda durante a gestão da ministra Eliana Calmon, e tramita no órgão desde então. A denúncia partiu de uma advogada que representava uma das partes em uma disputa pela guarda dos filhos. Segundo a representação no processo do CNJ, Camargo e Cassetari teriam recebido R$ 200 mil para dar sentenças favoráveis a uma das partes.
O cerceamento do direito dos jornalistas realizarem seu trabalho é uma tentativa de cegar a opinião pública, de impedir que as pessoas tenham acesso a informações e um ataque à democracia. É, portanto, ferir o direito do cidadão de saber o que é realizado com o dinheiro de seus impostos, afinal, o TJ-PR e as pessoas com cargos públicos que gerenciam o trabalho são remuneradas pelo Estado.
O Sindijor-PR, a exemplo de ontem, vem mais uma vez tornar público seu repúdio a atitudes hostis contra a imprensa, à tentativa de cerceamento do trabalho de profissionais jornalistas e a comportamentos coronelistas em relação a chefes de órgãos públicos. Os fatos ocorridos no TJ-PR reforçam a necessidade da atuação de órgãos como o CNJ e devem colocar a sociedade paranaense em estado de alerta.
 
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e Federação Nacional dos Jornalistas

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